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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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25 de Maio de 2016 Alexandre Henry

Uniões poliafetivas

O Conselho Nacional de Justiça expediu recentemente uma recomendação aos cartórios para que suspendam o reconhecimento de uniões civis entre mais de duas pessoas, as quais são chamadas de trisais (quando são três pessoas) ou apenas de uniões poliafetivas, que englobam também mais pessoas.

Há anos, eu já brincava que os costumes estavam evoluindo rapidamente e a tendência, no futuro próximo, seria o casamento coletivo. Aliás, interessante eu falar em "evolução" quando tal fato, a poligamia, já é praticada em parte do planeta por nações que o mundo ocidental considera arcaicas e, às vezes, retrógradas. Bom, talvez seja porque a aceitação da poligamia nesses países seja, em regra, apenas em relação a um homem ter mais de uma esposa, nunca o contrário. De toda forma, isso não vem ao caso agora.

Ainda não formei opinião sobre o assunto. Quanto às uniões poliafetivas não deverem ser criminalizadas, isso é algo do qual não tenho dúvidas, pois acredito que cada um deve ser feliz à sua maneira e, não atingindo pessoas sem capacidade de discernimento ou seres irracionais, toda forma de amor é válida. Como eu sempre digo, o mundo precisa de gente feliz. Se você é uma pessoa mais feliz e pacífica se relacionando com alguém do sexo oposto, do mesmo sexo ou com mais de uma pessoa, melhor para o resto da humanidade. A parte da minha opinião que ainda não está formada é em relação a transformar as uniões poliafetivas em casamentos do ponto de vista legal. Por um lado, não sei se isso traria problemas para alguém, embora a questão previdenciária sempre deva ser levada em consideração. Por outro lado, não acho que dá para chamar de cachorro o que sempre foi gato. Um gato mia e ronrona, coisas que o cachorro não faz. Assim, se definirmos o casamento como a união legalmente protegida entre duas pessoas que firmam um acordo para ter uma vida conjunta, com assistência mútua financeira, sentimental e sexual, bem como com exclusividade, então três pessoas não se casam. Ou se casam? Sei lá.

O que eu sei é que em uma cultura como a nossa, fortemente marcada pela fidelidade como bem valioso em uma relação, a união poliafetiva não é algo que qualquer um consiga praticar. Digo isso já saindo da discussão se tais uniões devem ser elevadas ao status de casamento. Eu mesmo não conseguiria praticar, seja de um lado ou de outro. Duas mulheres? Situação complicada. É tão difícil dar atenção a uma pessoa apenas que não consigo me imaginar tendo que suprir emocionalmente duas ou mais. E dividir uma esposa com outro homem ou outra mulher? Bom, depois de quarenta anos, minha cabeça e meu coração já não conseguem se ver em uma situação dessas.

Alexandre Henry

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