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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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15 de Julho de 2015 Alexandre Henry

Um bom caminho à frente

Particularmente, não me assusto com o futuro da economia mundial. É certo que o capitalismo e suas enormes contradições leva a ciclos de crescimento seguidos de crises. Ainda assim, como o capitalismo se alimenta do desenvolvimento tecnológico e vice-versa, a tendência é que a economia mundial continue crescendo. A evolução em todos os setores nos últimos 300 anos foi notável (exceto quanto ao meio ambiente), principalmente pela utilização de combustíveis fósseis e o desenvolvimento da energia elétrica. Por mais que tenhamos tido crises como a da década de 1930, até a pobreza hoje é, em geral, mais rica do que a de três séculos atrás.

E por que eu acho que ainda temos muito o que crescer? Porque o uso da tecnologia ainda está engatinhando. Pego como exemplo o meu trabalho. Hoje, um advogado faz uma petição, imprime, entra no seu carro e vai até o fórum. Todo o processo ainda é físico e, das cerca de trinta pessoas que trabalham comigo, quase um terço passa boa parte do tempo em trabalhos que não existiriam com um processo eletrônico. Aliás, com um processo eletrônico bem desenvolvido (o que ainda não existe, mesmo onde ele já foi implantado), seria possível permitir a vários servidores trabalhar em casa, diminuindo gastos com deslocamento, perda de tempo no trânsito, além de custos do governo com estrutura e equipamentos. Muitas empresas já perceberam isso, pois há funcionário que rende muito mais trabalhando em casa do que na empresa, que ainda lucra por não precisar de uma estrutura física tão grande.

Outro dia, uma mostra do Kandinsky em São Paulo abriu quase sem filas, pois foi criado um aplicativo para agendamento de visitas. As pessoas não mais perderam tempo paradas em pé, aproveitando esse tempo com coisas mais úteis ou interessantes. E os carros que não mais precisarão de motoristas? Já pensou poder ler um livro ou adiantar o trabalho enquanto se desloca? A energia renovável também vai se desenvolver, graças à tecnologia, permitindo daqui a algumas décadas que tenhamos energia de sobra a um baixo custo e sem problemas ambientais. Trabalhos braçais serão feitos cada vez mais por máquinas inteligentes e as pessoas, ao contrário do que se pensa, não passarão fome, pois o capitalismo precisa de um mercado consumidor. Como já vem ocorrendo há séculos, elas migrarão para o setor de serviços, para o lazer, as artes e tudo o que não possa ser feito pelas máquinas. Aliás, muitas cuidarão de desenvolver essas máquinas.

E, assim, com crises e guerras aqui e ali, continuaremos a ver a expectativa de vida mundial aumentar, as pessoas terem mais conforto e menos sofrimento, mesmo que essas benesses cheguem de forma desigual aos diversos cantos do planeta.

Alexandre Henry

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