Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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19 de Agosto de 2015 Alexandre Henry

Temos jantinha

Eu não tenho preconceito contra música sertaneja, apesar de não ser meu estilo musical preferido. No meu celular, você encontrará algumas canções do gênero e, acredite, nem todas muito antigas. "Vida boa", de Victor e Leo, por exemplo, está lá, juntamente com algumas mais idosas de Chrystian & Ralf e Chitãozinho & Xororó, além do Almir Sater, claro. Quanto aos mais novos, simplesmente não consigo diferenciar um cantor do outro, a não ser o Luan Santana. Parece que é tudo igual, mas tudo mesmo: a batida, o jeito de colocar a voz, os temas das músicas etc.

Dizem que no mundo nada se cria, tudo se copia. Essa frase não é de todo verdadeira, pois tem gente que inova, sim. Pode não inventar a roda, mas dá uma roupagem diferente a uma expressão artística, um produto ou um serviço. O problema é que são poucas as pessoas que param para refletir, na tentativa de sair do lugar comum. A famosa "jantinha" é um exemplo disso. Eu estava andando por Uberlândia outro dia e vi, em poucos quarteirões, três faixas com os mesmos dizeres: "Temos jantinha". Por que raios alguém não tem ao menos a criatividade de escrever "Temos jantona"? Precisa ser tudo absolutamente igual? E a tal da paleta mexicana? Vem alguém e traz um picolé um pouco (bem pouco) diferente, mas sob uma denominação nova. Anoitece e, no dia seguinte, qualquer canto tem a sua paleta mexicana. Por que não vender um picolé suíço, um sorvete argentino ou qualquer coisa que fuja do que se tornou um lugar comum? Por que criar uma música praticamente igual à do cantor sertanejo que está fazendo sucesso, imitando seu timbre e seu corte de cabelo? Só porque a fórmula deu certo para um, isso não significa que dará certo para você também. Eu sei que o mercado é grande, que há espaço para todo mundo (será?), mas a falta de criatividade faz com que seu produto tenha que ser realmente muito melhor e, ainda assim, você gastará mais tempo e correrá mais riscos do que se tentar inovar.

Enfim, bote a cabeça para funcionar. Eu mesmo, neste exato momento, estou pensando em uma forma de ensino pela internet, ensino voltado para concursos. Há seis meses, minha cabeça gira em torno dessas ideias, sempre tentando descartar o que já existe para oferecer algo um pouco diferente, que não caia na vala comum do que todo mundo já oferece. Se vou conseguir? Não sei. Mas, o fato é que não quero deixar de pensar muito, buscando um mínimo de criatividade. Se você está pensando em entrar no mercado, seja com um produto, um serviço ou algo ligado à arte, como a música, faça o mesmo: busque analisar o mercado à sua volta. Não para copiar a ideia que está bombando, claro, mas para ir além e tentar desenvolver algo novo ou, no mínimo, diferenciado.

Alexandre Henry

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