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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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4 de Março de 2015 Alexandre Henry

Sucessos e fracassos

Eu sempre fui muito bem em provas escritas. Consegui ser aprovado em 1º lugar no vestibular de Administração da UFU antes mesmo de terminar o ensino médio. Fui o 1º colocado no curso mais concorrido da USP e, quando decidi cursar Direito na UFU, também fui o 1º colocado no vestibular. Passei em um concurso público difícil com 18 anos, para a Receita Federal, depois fui aprovado no concurso para Procurador da Fazenda Nacional antes mesmo de terminar o curso de Direito e, após três anos, consegui a aprovação em um concurso para Juiz de Direito e dois concursos para Juiz Federal com apenas um ano de preparação.

Tenho orgulho disso, mas não me iludo. Apesar de todas essas aprovações, mais de uma vez já fiquei pelo caminho. Logo depois de sair da faculdade de Direito e já trabalhando como Procurador da Fazenda Nacional, fiz a prova de Procurador da República e fui reprovado ainda na 1ª fase. Há poucas semanas, tive outra decepção com provas seletivas e cheguei a acordar de madrugada para ficar pensando no que havia dado errado.

Hoje, olhando para trás e para os fracassos que tive ao longo dessa vitoriosa história de aprovações, sabe que eu sinto uma certa gratidão com o destino por me ter feito falhar algumas vezes? Um tropeço, seja em qualquer área da vida, acaba sendo bom para a gente refletir sobre o caminho que está tomando, para perceber que não é infalível, para ter mais humildade, paciência, para aprender a lidar com frustrações. Quem não enxerga as próprias limitações acaba tomando tombos ainda maiores. Todo mundo tem as suas falhas e pontos fracos. É como nos quadrinhos: até o mais poderoso dos super-heróis possui um lado que o torna vulnerável e capaz de ser batido.

O tempo tem me feito aprender que a gente tem que conhecer a si próprio, para saber quais são as maiores habilidades e os pontos mais fracos. Eu sei que minha inteligência motora, aquela ligada à expressão corporal, é praticamente inexistente. A inteligência espacial, muito ligada às artes gráficas, também inexiste na minha pessoa. Tive uma banda de rock que acabou por insuficiência técnica, o que já diz muito da minha inteligência musical. Sei que sou bom naquele tipo de habilidade necessária para resolver provas escritas, mas até nesse ponto aprendi que inteligência sem esforço pode levar a fracassos quase traumatizantes.

Enfim, o tempo tem me ensinado que eu posso ter passado em inúmeros exames nas melhores colocações, mas quem está ao meu lado, seja quem for, sempre vai ter inúmeras habilidades mais desenvolvidas do que eu e que, conforme o momento, podem valer muito mais do que qualquer conhecimento que eu possua.

Alexandre Henry

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