Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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24 de Janeiro de 1996 Alexandre Henry

Sol na cabeça e pé na estrada

Antes de começar a largar os dedos pelo teclado do computador, fiquei pensando se ainda seria tempo de puxar o assunto que me veio à cabeça. É, o verão já está no meio (pelo menos o que a gente aproveita, ou seja, férias), mas ainda dá pra dar uma palavrinha sobre sol e calor.

Verão é sempre aquela época dez, cheia de coisas pra fazer, que durante o resto do ano a gente fica sentindo saudades. Quem nunca ouviu falar em "sonho de verão"? A verdade é que é impossível ficar parado diante desse calorzão brasileiro, da cervejinha gelada, ainda mais nesse país cheio de lugares interessantes pra se conhecer. Você já parou pra pensar como o Brasil é farto em locais pra não se fazer nada? Pô, se alguém quiser coçar, que venha ao Brasil, temos opções para os mais variados gostos.

Eu não vou dar nenhuma dica pra se curtir o calor, porque vai muito da grana do sujeito. Quem tem mais, arrisca uma temporada no litoral, talvez uma praiazinha em Fortaleza, coisinha simples. Quem tá duro, pode curtir um final de semana na piscina do clube. Só não vale ficar bundando em casa, assistindo sessão da tarde na frente de um ventilador. Cadê a imaginação? Bote a cuca pra funcionar e deixe a adrenalina correr solta nas veias! Ah, como eu admiro os malucos que botam uma mochila nas costas e tchau! Só voltam depois do carnaval, e olha lá!

Hoje em dia não se encontra mais tanta gente se arriscando a meter o pé na estrada só com o cara e a coragem. Lembro de um colega meu, o cara deve ter lá seus quarenta anos, mas ainda vive uma vida bem maluca. Um dia, ele parou pra me contar sua história, as aventuras que viveu naquela época de muito chá e erva à vontade, uma loucura. Ele e mais uns saiam sem rumo, à deriva e sem preocupar com nada. Achei o maior barato a terapia que ele e a turma fizeram uma vez: viver sem grana. É, não usar o vil metal! Os caras simplesmente trocavam a força de trabalho por comida e abrigo. Viajavam de carona, paravam em postos e, na maior disposição, se ofereciam pra lavar banheiros, limpar lanchonetes, o que fosse. Tudo por um rango qualquer e pela oportunidade de conhecer o mundo. Só não valia colocar a mão no dinheiro.

Acho que nessa época dava pra fazer umas aventuras dessas, lá pelos primeiros anos da década de setenta. Se a gente for parar pra pensar, hoje em dia isso é quase impossível. Primeiro, porque o maluco iria acabar ficando três dias na beira da estrada sem conseguir carona, hoje o medo de assalto cortou essa forma barata e criativa de transporte. Segundo, porque no primeiro posto que parasse iriam levar a mochila, tênis, dinheiro, camiseta... tudo! Ah, que nostalgia daquele tempo calmo vivido pelo pessoal da antiga...

Mas não se pode deixar a peteca cair por causa disso. Se não dá pra meter o pé na estrada daquele jeito, dá pra aproveitar outras ondas diferentes. O que eu vou dizer agora pode parecer papo velho, piegas, mas deixar o tempo passar e o verão ir embora sem uma aventurazinha é pura perda de tempo. O que é que você vai contar durante o resto do ano? Ainda mais, eu repito, no Brasil, um país imenso, cheio de praias paradisíacas, paraíso de mulheres bonitas, de sol e calor infinitos. Ah, é claro, e com o carnaval pra fechar a conta!

Então, se você ainda não fez a sua história desse verão, ainda há tempo suficiente. Faça qualquer coisa, vá pra uma fazenda com a galera, tire uns dias de muito sol, cerveja e carne assada na beira da represa, faça uma terapia em alguma caverna, vá para o litoral, sei lá! Curta a vida, é só o que eu tenho a dizer.

Mas, pra fechar o papo de hoje, eu vou dar um recadinho mais sério: cuidado com a barriga! Eu estou meio perplexo com o tanto de conhecidos e conhecidas que vão virar papais até o final do ano. Parece que o pessoal se esqueceu da regra básica: fazer a coisa com prazer, mas sem dar uma de mané e arrumar uma gravidez fora de hora. Eu garanto que essa não vai ser uma história de verão muito legal pra você contar durante os próximos meses. Se cuida! Deixe a coisa rolar, mas bote uma camisinha só pra garantir. Verão tem que ser assim: pé na estrada, não na lama! E boa viagem!

Alexandre Henry

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