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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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12 de Agosto de 2015 Alexandre Henry

Meu pesar por Maria Antônia

"Quando a Polícia Federal executou (...) o mandado de prisão do ex-ministro forte de Lula, Dirceu trocou de roupa e tomou café, o último antes do cárcere. Agradeceu ainda ter podido tirar de casa sua filha de 4 anos, Maria Antônia, para que não o visse sendo preso. (...) Nas últimas semanas, [José Dirceu] gastava boas horas do dia assistindo a desenhos animados ao lado de Maria Antônia. (...)Apesar da política, sua maior preocupação, conforme relatos, era com o futuro da filha pequena. Receava ficar muito tempo privado do convívio com Maria Antônia. Ela fará 5 anos em setembro" (Folha de S. Paulo, 04/08/2015).

Fiquei sensibilizado pela filha de José Dirceu, de verdade. Como pai de uma menina de quase dois anos, pai daqueles completamente apaixonados, doeu-me pensar que a Maria Antônia já passou e ainda vai passar por tanta coisa dolorida. Mais do que tudo, um longo tempo de sua curta vida já se foi na ausência do pai, pela prisão no "mensalão", e, ao que tudo indica, ela não o terá em casa para assistirem aos desenhos por muitos anos.

Acompanhei o sono de minha filha do nascimento aos três meses de idade, dormindo no mesmo quarto e trocando suas fraldas madrugada adentro. Brincamos juntos, passeamos, viajamos. Para desgosto da minha esposa e para a minha satisfação, ela aprendeu a falar "papai" antes de falar "mamãe". Somos completamente apegados um ao outro e essa relação de pai e filha faz um bem gigantesco para nós dois. Espero que ela tenha orgulho de mim e estou certo de que, se já não tinha qualquer tendência para a coisa errada, agora é que não tenho mesmo, pois um dos meus maiores desejos é nunca decepcioná-la. Maria Antônia, ao contrário da minha Luísa, não pode contar com a presença do pai. Essa ausência deve doer demais. Além disso, ela ainda ouvirá muitas histórias sobre Dirceu que a machucarão. Uma pena. Às vezes, olho para a minha filha e penso que todas as crianças deveriam ter o direito a um lar com os pais, cheio de amor, presença e carinho. A paternidade me deixou mais sensível a essas pequenas criaturinhas, principalmente às que não podem aproveitar a companhia da figura paterna, seja por culpa do destino ou do próprio pai.

Isso não significa, de forma alguma, que eu esteja defendendo a liberdade de quem quer que seja só para evitar o sofrimento de uma criança. Se uma pessoa comete um crime, a consequência deve ser a repreensão penal, independentemente da dor que isso possa causar aos familiares e amigos do condenado. De toda forma, crianças como Maria Antônia não têm culpa alguma e essa saga de seu pai trará sequelas que ela carregará por toda a vida. Por isso, torço para que ela supere bem essa tragédia prematura.

Alexandre Henry

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Comentários

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