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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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1 de Julho de 2015 Alexandre Henry

Hitler e a democracia

Se você conhece o mínimo de história, deve saber que Hitler foi o dirigente alemão que levou o país ao conflito armado entre 1939 e 1945, carregando junto boa parte do planeta, no que ficou conhecido como a 2ª Guerra Mundial. Milhões de pessoas morreram e a Alemanha ficou completamente destruída.

O que talvez você não saiba é que Hitler, hoje demonizado de todas as formas, chegou ao poder de forma democrática. Seu partido teve grande sucesso nas eleições de 1932 e, em 1933, Hitler virou chanceler da Alemanha de forma legal. Pouco depois de assumir o poder, o dirigente alemão ganhou poderes quase absolutos para governar, novamente concedidos pelas vias normais da política. Em 1934, o presidente alemão morreu e o parlamento fundiu as funções de chanceler e presidente, dando ainda mais poderes a Hitler, fusão confirmada em plebiscito por quase 90% dos votos da população. Pouco depois, em 1935, apoiado por uma imensa popularidade, o dirigente da Alemanha fez esforços para que o parlamento aprovasse as chamadas "Leis de Nuremberg", colocando os judeus na marginalidade e abrindo caminho para o Holocausto. Formalmente, nada havia de errado, pois as leis foram aprovadas pelos legisladores e a população, com o orgulho retomado após a humilhação da 1ª Guerra Mundial e da Crise de 1929, apoiava de forma retumbante o governo de Hitler. A vontade da maioria, manobrada astutamente pelo líder alemão, foi aos poucos esmagando praticamente todas as minorias.

Não somos a Alemanha nazista, mas me assusta a retomada conservadora que vejo em nosso país. Não passamos pela derrota de uma guerra e uma crise como a de 1929, como eles passaram, mas percebo que os brasileiros, assim como os alemães do início da década de 1930, estão desanimados com a política e se voltam para soluções absolutamente conservadoras. Pior: nesse movimento, conquistas sociais de muitas minorias, especialmente aquelas que ferem interesses na maioria cristã, parecem ameaçados.

Isso não é bom, definitivamente. Vivemos em um país democrático e a democracia não é a imposição da vontade da maioria, esmagando aqueles que pensam e agem de forma contrária. Democracia é o governo da maioria, sim, mas com o absoluto respeito aos direitos das minorias. A Alemanha de Hitler supostamente fazia tudo certinho, com leis aprovadas pelo parlamento e com o apoio da grande maioria ariana. Deu no que deu. Por isso, nunca caia na tentação de achar, como vi recentemente um deputado dizer, que o desejo da maioria sempre deve prevalecer. Isso não é democracia e um pouquinho de história ajuda a entender o quanto tal pensamento pode ser perigoso.

Alexandre Henry

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