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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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7 de Outubro de 2015 Alexandre Henry

Hemominas

Fui ao Hemominas de Uberlândia para retirar sangue, em uma terapia preventiva que estou fazendo por conta de uma herança genética não muito legal. Mas, não escrevo para falar da minha saúde (que está excelente, graças a Deus) e, sim, do atendimento que recebi. O agendamento foi feito por telefone de forma cordial. Procedimento marcado para as sete da manhã, fui atendido na hora exata e de forma educada. Passei pela médica hematologista, que explicou-me tudo o que eu precisava saber, tomando o cuidado para me tranquilizar, ressaltando que era algo simples. Por fim, um excelente atendimento durante o procedimento de retirada do sangue. Percebi que todas as funcionárias ali sabiam os nomes dos pacientes e havia um carinho no tratamento.

Em novembro, eu completo 20 anos de serviço público. Comecei na Receita Federal, depois fui Procurador da Fazenda Nacional, Juiz Federal na 5ª Região e, desde 2007, Juiz Federal na 1ª Região. Ainda lá na Receita Federal, trabalhei cerca de três anos e meio diretamente no atendimento. Não era fácil. Quem vai feliz da vida à casa do Leão? O sujeito só aparecia lá quando tinha problemas. Mas, eu sempre tive comigo que precisava fazer um bom trabalho. Nem sempre eu era só sorrisos ou tinha o atendimento mais cordial. De toda forma, era minha meta ser sempre educado e, principalmente, tentar resolver o problema de quem estava ali. Não sei se consegui atingir esses objetivos, algo que só os contadores que atendi à época podem dizer. Em todo caso, continuei com esses objetivos e os trago até hoje.

Essa é a visão que eu tenho do serviço público e a minha experiência no Hemominas só me confirmou que não há outro caminho: é preciso tratar o cidadão com respeito e atenção, pois, no final das contas, o serviço público só existe por causa dos cidadãos (são eles que, por meio dos impostos, mantêm toda a estrutura) e para os cidadãos. O problema é que muita gente ainda presta concurso pensando só na estabilidade e no salário, esquecendo-se do que vai ter que fazer durante 40 horas por semana até o resto da vida. É por isso que, sempre que dou palestras ou escrevo sobre concursos, recomendo aos candidatos uma boa reflexão: é isso mesmo o que você quer? Você vai mesmo prestar um bom serviço à população, vai se sentir bem no trabalho e consigo mesmo? Se houver dúvidas, o melhor é ficar na iniciativa privada.

O serviço público, aos poucos, vai melhorando. Ainda há um longo caminho, mas - para além das experiências ruins e até traumatizantes - já tive atendimentos maravilhosos em balcões de órgãos públicos. Como o do Hemominas desta semana. Como todos deveriam ser.

Alexandre Henry

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