Modo de Ver

HOME   /   MODO DE VER   /   FINO TRATO

A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


0 Comentários  
519 Visualizações  
9 de Dezembro de 2015 Alexandre Henry

Fino trato

Na semana passada, eu estava bem ansioso com uma possibilidade aberta de volta para Uberlândia (que não se confirmou, infelizmente). E, como toda pessoa ansiosa que se preze, eu queria de todo jeito saber informações sobre os colegas que estavam na minha frente na lista de remoções. Mas, é meio complicado você ligar para alguém que você não conhece e perguntar: "escuta, você vai mesmo mudar de cidade"? Como essa é uma decisão que envolve, na maioria dos casos, questões de foro íntimo, é preciso tato para não aborrecer a pessoa de quem você deseja a informação.

Foi mergulhado nessa ansiedade que entrei em contato com um colega de Salvador. Eu não o conhecia pessoalmente e nem tinha o seu telefone, então usei o e-mail mesmo. Procurei ser o mais cuidadoso possível nas palavras. Pouco tempo depois, eu estava falando pelo telefone com uma das pessoas mais agradáveis e educadas que já conheci. Ele me atendeu de forma absolutamente cortês, explicou o que envolvia a decisão dele de mudar ou não, ponderou as variáveis que cercavam nossos dois casos, colocou-se à minha disposição para entrarmos em contato novamente se fosse preciso, enfim, foi de uma educação, uma cordialidade e uma atenção incomuns. Desliguei o telefone e pensei: se o mundo tivesse um terço da população com essa postura, certamente seria um lugar muito mais agradável e pacífico para se viver.

Gente de fino trato é outra coisa. Quando falo em fino trato, não me refiro a comportamento requintado ou elitizado. Não é nada disso. É simplesmente tratar a outra pessoa como eu fui tratado pelo colega de Salvador, ou seja, de maneira educada e agradável. Pessoas assim melhoram o nosso dia. Poder ter uma conversa de forma desarmada, uma conversa que agregue valor à sua vida e ao seu cotidiano é algo extremamente positivo. Conheço algumas pessoas com esse perfil e nunca deixo de me surpreender com elas e, claro, também nunca deixo de me perguntar: por que todo mundo não é sempre assim? Eu confesso que tento ser um sujeito de fino trato, mas nem sempre alcanço um nível elevado nessa área. Não que eu seja rude, de maneira alguma. Entre o 8 e o 80, existem mais de 70 números. É possível ser uma pessoa rude e grossa e, na outra ponta, é possível ser uma pessoa de finíssimo trato. A maioria flutua entre esses dois polos, mas tendendo mais ao polo negativo, infelizmente.

Resumindo, a conversa com o meu colega de Salvador me estimulou a tentar ser uma pessoa melhor no trato diário com outras pessoas. Se é tão bom conversar com alguém assim, deve ser melhor ainda ser alguém assim. Não sei se consigo, mas vale tentar.

Alexandre Henry

Avalie o texto:

Envie seu comentário

Seu email não será exibido.*

captcha