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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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20 de Julho de 2016 Alexandre Henry

As mentes doentias

Quando eu era pequeno, o medo que pairava sobre a minha cabeça - e a do resto do mundo, claro - era a possibilidade de uma guerra nuclear dizimar a humanidade. O filme "O dia seguinte (The day after)", lançado na década de 1980, era uma expressão perfeita do que tanto temíamos: americanos e soviéticos finalmente se atacando com toda a potência de arsenais capazes de dizimar sei lá quantas vezes nosso planeta.

O tempo passou, o temor coletivo se transferiu para a AIDS por um tempo e, agora, a nova espada no pescoço da humanidade é o terrorismo. Para nós, brasileiros, é algo ainda um pouco distante, pois o Brasil ainda não teve nenhum ataque e nossa violência cotidiana dá inveja a qualquer homem-bomba. Mas, receio que a coisa possa chegar aqui e, mesmo que não chegue, vai afetar os planos de muitos brasileiros que sonham em viajar para o exterior.

O terrorismo é mais complicado do que uma bomba atômica ou o vírus da AIDS por vários motivos. Primeiro, porque a dificuldade para alguém apertar aquele famoso botão da maleta preta, que iniciaria o hecatombe nuclear, sempre foi gigantesca. Por outro lado, diferentemente de um vírus, é muito difícil você direcionar recursos financeiros para encontrar uma cura para o terrorismo, já que os remédios utilizados (repressão, fechamento de fronteiras, vigilância extrema) quase sempre são ineficazes e alimentam ainda mais as mentes que planejam matar inocentes. Pior do que tudo isso, porém, é o fato de que boa parte dos terroristas não tem um pensamento racional e linear. Ao contrário: parece que veremos, cada vez mais, ações violentas por parte de mentes doentias e isoladas que, não fosse a ideia do terror, provavelmente seriam apenas assassinos isolados, alvo da polícia comum. Esse, aliás, é o ponto que mais me assusta no momento: não o terror "organizado" de um Estado Islâmico, mas a atitude errônea de pessoas desequilibradas que só precisam de uma inspiração para, ao invés de matar um ser humano, matar dezenas deles. Ou que, às vezes, nem precisam de ideologia, como o caso do norueguês Anders Breivik, que matou 77 pessoas na Noruega em 2011. Para gente desequilibrada assim, não há necessidade de promessas de virgens no paraíso: basta perceber que matar muita gente rende bastante atenção e, em alguns casos, até imortaliza o nome de quem o faz, ainda que de uma maneira negativa.

Enfim, são esses malucos inspirados ora por ideologias terroristas puras, ora pelo desejo de chamar a atenção, que me metem medo na atualidade. E tais malucos, infelizmente, parecem-me ameaças muito mais difíceis de se combater do que uma bomba nuclear ou um vírus como o HIV.

Alexandre Henry

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