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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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28 de Outubro de 2015 Alexandre Henry

A ocasião e o ladrão

E o ex-deputado José Dirceu foi parar novamente na cadeia! Sim, eu sei, a notícia não é nova, mas existe um ponto sobre ela que eu quero comentar há algum tempo e que ainda está atual: José Dirceu se tornou uma mente criminosa ou ele sempre teve essa índole?

A pergunta é muito simples. As pessoas mudam com o tempo, para o bem ou para o mal, ou elas apenas se revelam? Eu tenho a minha teoria. Existe uma frase segundo a qual a ocasião faz o ladrão. Porém, outras pessoas dizem que o ladrão faz a ocasião. Eu acredito que as duas frases são verdadeiras e se complementam. Quem nunca teve tendência para a criminalidade, por ter nascido com um caráter honesto já arraigado, provavelmente não cometerá crime algum ao longo de toda a sua vida. Por outro lado, as pessoas que nascem com um caráter ruim, se é que você entende o que eu quero dizer, podem cometer delitos se uma boa ocasião aparecer e também podem provocar uma ocasião oportuna para praticar um crime. Eu creio muito nessa questão de caráter, da personalidade que cada um carrega consigo desde o ventre da mãe. Eu sei que o ambiente pode influenciar na vida da pessoa, mas não costumo colocar a culpa toda no meio social, pois isso retira da pessoa o livre arbítrio, além de desmerecer o esforço daqueles que, mesmo diante de uma vida cruel, mantiveram-se honestos. Nós somos produtos do meio? Sim, somos. Mas, também somos o que está escrito no nosso DNA, sobre o qual temos algum controle que vai além do meio em que vivemos, ou seja, um controle só nosso, embora não absoluto. Por outro lado, as condições de vida - boas ou ruins - durante a infância e a juventude podem sufocar ou despertar uma propensão à coisa errada. Só que as condições de vida, por si só, não são suficientes para moldar um adulto bandido ou um adulto honesto. O caráter, em si, não é produto do que nos cerca, mas do que nasceu conosco e daquilo que, por esforço próprio, nós fizemos para direcionar nossa índole.

Eu não posso dizer que José Dirceu é um criminoso reiterado, pois ele ainda não foi condenado pela segunda vez e o nosso país adota o sistema da presunção de inocência. De qualquer maneira, não acredito que ele era um bom moço, de ideais nobres, que mudou com as circunstâncias que a vida lhe foi trazendo. Acredito que casos como o dele reflitam justamente aquilo que eu falei: uma personalidade que, desde o início, já era voltada para uma conduta em desacordo com os padrões sociais, personalidade essa que somente se fez revelar com o passar do tempo. Agora, se ele foi criador ou criatura da "ocasião", isso eu vou deixar para que você conclua.

Alexandre Henry

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