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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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6 de Maio de 2015 Alexandre Henry

20 anos de internet

No último 1º de maio, a internet comercial no Brasil completou exatos 20 anos de funcionamento. Foi em 1995 que os primeiros brasileiros fora do âmbito universitário ou governamental começaram a ter acesso àquela tal “rede mundial de computadores”, cuja potencialidade ainda não havia sido totalmente estimada.

Para comemorar esse aniversário de duas décadas, eu apaguei o Facebook do meu celular e do meu tablet. Como consequência, consegui ler o primeiro livro não jurídico em 2015, além de ter desacelerado um pouco. Isso, porém, não significa que eu seja avesso à rede, pelo contrário. Quando a internet chegou ao Brasil, eu estava no lugar certo, na hora certa: era aluno da USP, um das primeiras instituições no país a utilizar a rede. Depois, ainda no começo de 1998 e já morando em Uberlândia, eu instalei em minha casa uma conexão por meio da Nanet, provedor local. Montei até uma página na web! Desde aquela época, já usava comunicadores instantâneos, salas de bate-papo, banco virtual e quase todas as demais ferramentas que a internet me oferecia. Daí para o modelo de redes sociais atual foi um pulo, especialmente com a chegada do Orkut ao Brasil, seguido pelo Facebook.

Hoje, procuro a dose certa de internet em minha vida. Meu trabalho é diretamente no computador, sendo que muita coisa é feita com o auxílio da rede. Como a maioria dos brasileiros, estou cercado pelas conexões: celular, tablet, computador de mesa, notebook e até as televisões da minha casa são ligadas na rede. Os filmes são alugados online, músicas estão nas nuvens e os livros chegam ao meu e-book em um clique. É muita conexão, o que traz um novo desafio: desconectar-se um pouco. Foi por isso que tirei o Facebook dos dispositivos portáteis, pois o acesso estava ficando tão constante que me roubava preciosos minutos durante o dia.

Eu acho que nunca vou ser avesso à rede, pois acredito que eventuais malefícios da internet estão longe de superar os benefícios. De toda forma, sinto-me privilegiado por ter feito parte da última geração de adolescentes desconectados. Abrir o armário e encontrar mais de uma centena de cartas daquela época, escritas à mão, não tem preço. Lembrar-me de quando ficávamos horas sentados na porta da casa de amigos jogando conversa fora, sem distração de celulares, só me dá a certeza de que foi melhor assim. Mais do que isso, ter chegado à idade adulta exatamente quando a rede passou a ser disponível foi perfeito, pois a internet me permitiu continuar tendo contatos com pessoas que os compromissos da idade geralmente levam para longe. Enfim, quando a internet completa 20 anos, a sensação de que tenho é de, ao menos em relação à rede, tudo aconteceu na hora certa para mim.

Alexandre Henry

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