Armante Carneiro

Não sei de outra homenagem que se tenha prestado ao dr. Armante Carneiro, além de se nomear o prédio construído onde era a sede da Associação Comercial, Industrial e Agro Pecuária de Uberlândia (ACIAPU). Nem uma travessa. Sua passagem por Uberlândia ficou marcada por ser um dos fundadores da Associação Comercial e o seu primeiro Presidente. Nasceu em Uberaba, filho de Antônio da Costa Carneiro, médico, e Rita Otília Carneiro, no dia 29 de julho de 1881. Fez seus primeiros estudos na cidade natal e foi conclui-los em Ouro Preto. Depois, seguiu a família para São Paulo onde estudou na Politécnica e na Escola de Farmácia. Formou-se agrimensor e farmacêutico. Voltou para Minas. Foi contratado pela Estrada de Ferro Goiás para trabalhos topográficos.

Em seguida, voltou-se para a agrimensura e foi para o Sul de Goiás. Aí foi bastante feliz, porque teve um bom salário e ainda ganhou terras num total de 85.000 hectares no vale do Paranaíba. Casou-se com d. Percília de Carvalho e fixou-se em Goiás onde montou farmácia em sociedade com um cunhado. Foi um daqueles estradeiros que surgiram depois de Fernando Vilela arrastando suas linhas para o interior do Centro Oeste. Ele construiu a estrada ligando Rio Verde a Mineiros e a ponte sobre o rio dos Bois. Foi Presidente da Companhia Auto Viação Sul Goiana. Desfazendo a sociedade com o cunhado, que se mudou para o Rio, Armante veio para Uberlândia e foi morar na casa que comprou de Américo Zardo, que ficava na esquina da rua Lusitânia (Olegário Maciel) com a avenida João Pinheiro. Ele pretendia montar uma grande fábrica de tecidos. Associou-se ao Senador Francisco Antônio de Sales e a José Maria dos Reis. O Senador foi o Presidente da Companhia Industrial de Tecidos Uberabinha. Os outros dois sócios eram diretores. A inauguração se deu no dia 15 de novembro de 1923. Os barracões da empresa ficavam na avenida João Pessoa, encostados à área da Mogiana. Ao fundo, a Companhia construiu um conjunto de pequenas casas destinadas aos operários. Esse pequeno conjunto chamou-se “Vila Operária” sendo, talvez, o embrião do futuro e populoso bairro de mesmo nome, hoje absorvido pelo bairro Aparecida. A inauguração da firma foi uma festa entusiasmada com o povo acreditando no impulso que ela traria para o desenvolvimento do município. Dizia-se que era a maior tecelagem de Minas. Apesar de todo o aparato técnico, a fábrica não deslanchou. O capital que se esperava atingir através do prestígio do Presidente não apareceu. As dívidas cresceram, Armante avalizando vultosos empréstimos bancários e o empreendimento entrou em crise. A diretoria reuniu os sócios e credores e se decidiu pela liquidação da empresa. O acervo foi à praça. As máquinas foram arrematadas por preço abaixo da realidade por uma fábrica de Uberaba. Os pavilhões e o conjunto habitacional foram adquiridos pela imobiliária do Tubal Vilela por cento e vinte contos de réis. Os pavilhões foram transformados em armazéns.

Armante tentou recuperar-se montando serraria em sociedade com Cunha, Melazzo & Cia. Antes tinha conseguido que o estado de Minas Gerais aprovasse um projeto de construção de estrada de ferro que partiria de Uberlândia, passaria por Cachoeira Dourada chegando a Porto Feliz. Depois de tudo aprovado, a Revolução de 1930 jogou seus planos por terra. Foram novos prejuízos porque ele tinha iniciado os trabalhos preliminares. Como último meio de superar seus tropeços, Armante montou escritório de representações, com compra e venda de cereais, seguros e outras atividades. Católico fervoroso, foi o primeiro Presidente da Ação Católica. Fundou-se por essa época o Partido Católico e ele foi convocado para a Presidência. O que marcou sua passagem por aqui foi a fundação da Associação Comercial, idealizada por José de Oliveira Guimarães. Foi seu primeiro Presidente numa gestão que durou pouco mais de um ano e marcou-se por seu trabalho na área das comunicações. Foram problemas com a Companhia do Fernando Vilela, com as ferrovias Oeste, e Mogiana, VASP, pontes e estradas várias. No dia 23 de dezembro de 1934, renunciou ao mandato porque tinha planos de mudar-se e estabelecer-se em Barretos. Foi o que fez. Aí, e em outros locais paulistas, continuou por várias atividades empresariais. Faleceu no dia 29 de março de 1972. Deixou os filhos: Ubaldo (advogado), Elza e Nice (casadas, do lar), Walton (médico), Armante José (advogado) e Luiz (economista). Antônio Pereira da Silva

Fontes: Walton e Ubaldo Carneiro (filhos), Tito Teixeira, José Soares Bilharinho, Atas da ACIUB e jornal A TRIBUNA.

PEREIRA, Antônio. Armante Carneiro. Disponível em <http://dedodeprosa.com/conteudo/antonio-pereira/armante-carneiro/>. Acesso em: 25/10/2021