Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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14 de Dezembro de 2016 Alexandre Henry

Uma declaração de amor

Quando nos conhecemos, ainda éramos dois garotos. Morávamos a poucas casas de distância e, para ser sincero, não me lembro bem como foi que nos tornamos amigos. Sei que tínhamos alguns conhecidos em comum, mas não éramos da mesma turma. Aos poucos, porém, nasceu uma amizade que me fazia muito bem. Eu me lembro do tanto que gostava de conversar com ela, em papos que, nas noites de nossa juventude, poderiam se estender até o raiar do sol. Nunca tive uma amiga como ela.

Algo de que me lembro bem é da minha despedida de Uberlândia. Era fevereiro de 1994, eu tinha 17 anos e estava de mudança para São Paulo, para fazer faculdade. Naquela noite, muita gente foi até a minha casa para se despedir. Ela também estava lá. Nos quatro anos em que morei fora, não perdemos o contato. Tenho até hoje dezenas de cartas que trocamos, em uma época em que ainda não havia internet direito. No dia em que voltei para minha cidade, todos aqueles amigos da despedida haviam se dispersado, mas ela estava lá. Pouco tempo depois, começamos a namorar e já são quase 20 anos de relacionamento oficial, entre namoro, noivado e casamento. Uma das coisas que eu mais gosto é justamente isso: olhar para ela e saber que temos uma história em conjunto, que já vivemos tantos sorrisos e lágrimas um ao lado do outro, mesmo sendo tão jovens.

Ninguém conhece totalmente outra pessoa, mas eu posso dizer que não conheço ninguém tão bem quanto eu a conheço e isso é um patrimônio inestimável. E, por conhecê-la assim, meu coração se sente confortado, pois sabe que não está sozinho e que pode contar com aquela mulher de personalidade forte, mandona, que teima em não deixar transparecer seus sentimentos, sem saber que essa teimosia me faz prestar atenção em seus gestos, palavras e expressões, mesmo após tanto tempo, tudo para tentar entender esse amor. Tem gente que procura novos olhos a todo momento, mas eu gosto de fazer diferente: procurar nos mesmos olhos, a cada novo dia, um novo olhar.

Amanhã, ela faz aniversário e inicia mais uma década de vida. Eu vou estar lá, ao lado dela, encantado com aquele cabelo cacheado que sempre chamou a minha atenção, com a beleza que só aumenta com o passar do tempo. Nem tudo foi perfeito durante essa jornada até aqui, claro. Já brigamos, já discutimos, já fizemos um ao outro chorar. Ainda bem! Uma relação sem desentendimentos está fadada ao fracasso, pois é natural que duas pessoas, convivendo tanto tempo, tenham atrito. O importante, e isso também me faz feliz, é o respeito, a lealdade, a confiança e, claro, a certeza de que o que tanta gente procura, eu já encontrei há muito tempo!

 

Alexandre Henry

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