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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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29 de Abril de 2015 Alexandre Henry

Somos todos (quase) iguais

Parte dos intelectuais acha que os seres humanos são distintos conforme a classe social. Não sei se esse pensar é fruto da ingenuidade ou de um romantismo míope. Para mim, a essência do ser humano é a mesma, coma ele pão amanhecido ou brioches no café da manhã. Claro, sempre há exceções, mas não é delas que trato aqui. E também não trato das condições de vida, pois é óbvio que a realidade de quem está com o chicote na mão é muito diferente da realidade de quem recebe as chicotadas.

Aliás, falando em chicotadas, muito apropriado relembrar nosso grande Machado de Assis. Em sua obra "Memórias póstumas de Brás Cubas", ele narra uma passagem em que um escravo está sendo vergalhado na praça por seu dono, que não tinha o mínimo de compaixão. Esse senhor era Prudêncio, que um dia fora escravo da família de Brás Cubas e agora possuía seu próprio escravo, o qual surrava e humilhava em meio a uma multidão. Não duvido que Machado de Assis, ele mesmo com sangue africano, tenha presenciado cena semelhante e inspiradora.

Como não me lembrar do nosso grande escritor nestes dias em que negros sul-africanos, que há pouco viviam sob o cruel regime do apartheid, promovem ataques violentíssimos contra imigrantes de outros países africanos? E não é essa uma prova de que somos todos iguais? Situação totalmente diferente, mas que me remete à mesma ideia, é a discussão sobre a tal da meritocracia. Por conta do discurso idiota da direita americana, que acha que se deve supervalorizar o esforço de cada um sem levar em conta a realidade social e pessoal, tenho visto um discurso oposto de condenação total da meritocracia. Realmente, não dá para comparar o caminho de quem teve estrutura familiar e educação de qualidade com quem nasceu de uma prostituta no meio da violência do tráfico. Mas, vá lá na favela e pergunte àquele sujeito que construiu a casinha com muito esforço e honestidade se ele acha que o vizinho dele, que mora em barraco de lona e vive bebendo pinga, deveria ganhar uma casa de tijolos igual à dele. Certamente, o discurso que você ouvirá será bem parecido à tal meritocracia.

Somos todos iguais, ou quase iguais, e o que nos diferencia são apenas as circunstâncias e os paradigmas que adotamos. O Prudêncio de Machado de Assis não era diferente dos seus antigos senhores e a alforria mostrou isso. Sul-africanos negros não são tão diferentes assim dos brancos colonizadores no quesito preconceito. E quem é pobre também valoriza a meritocracia, não como um rico WASP republicano, mas dentro do contexto em que vive. Só uma parte dos intelectuais não percebe isso e continua achando que diferenças sociais e diferenças de caráter são a mesma coisa.

Alexandre Henry

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Comentários

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