Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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30 de Setembro de 2015 Alexandre Henry

Saudades do MIrante

Não sou saudosista, mas há alguns dias senti uma certa nostalgia ao me lembrar do "Mirante Bar", em Uberlândia. Ficava em uma área mais alta do bairro Cidade Jardim e foi meu destino durante muitas noites no comecinho da década de 1990.

O estabelecimento, na verdade, não passava de um boteco simples. Só que o bairro ainda não tinha prédios e, na frente do bar, uma grande área sem construções permitia uma visão maravilhosa de Uberlândia, algo raro em uma cidade bastante plana. A turma que ia para lá era bem descolada e adorava um violão. A gente se sentava, tomava cerveja e puxava Legião, Led Zeppelin e outros sons ligados ao rock, tendo as luzes da cidade como acompanhantes das noitadas. Muita gente, claro, não ia lá para isso, mas para aproveitar a linda vista e namorar dentro dos carros, que formavam filas ao longo da avenida próxima ao bar. Vidro embaçado era sinal de que o amor estava bem intenso! Muita gente chegava às vias de fato, para ser bem claro. Tudo isso formava um clima de liberdade muito grande, pois ali se podia ter uma diversão bacana ao som de um violão, ficar em pouco mais afastado, conversando encostado no carro e olhando as luzes da cidade, ou simplesmente namorar dentro do carro mesmo. O melhor de tudo é que o risco de algum assalto era bem pequeno, embora não inexistente. O perigo maior era a polícia passar e pegar o casalzinho no flagra, sem roupas. Fora isso, não havia muita preocupação. E também não havia celular, internet e nenhuma outra coisa que nos fizesse distrair da linda paisagem e das boas conversas noite adentro.

Fui dezenas, talvez centenas de vezes, àquele lugar. Parte da minha juventude foi escrita sob as estrelas e as luzes da cidade que iluminavam o entorno do Mirante. Depois que me mudei para São Paulo, em 1994, poucas vezes retornei lá. Mas, retornei. Em 1996, eu e a minha esposa éramos apenas grandes amigos. Depois de uma festa, fomos ver o sol nascer lá no Mirante e o fim da madrugada trouxe o primeiro beijo de uma relação que atravessaria décadas e viraria um casamento.

O tempo passou e os prédios tamparam a linda vista da cidade. A violência também aumentou de tal forma que só um maluco pararia em um lugar ermo, como era o Mirante de antigamente, para curtir a madrugada. É uma pena. Eu gosto do futuro, de olhar para frente e pensar no que o amanhã vai me trazer. Bom mesmo é o que eu ainda tenho para viver. Ainda assim, quando olho para trás, sinto saudades daquele tempo em que a gente era mais gente, em que os corpos se tocavam de forma mais romântica e as noites  eram sossegadas, vividas de forma serena em um barzinho com um violão ou, melhor ainda, embaladas por romances ao luar.

Alexandre Henry

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Comentários

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