Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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31 de Janeiro de 1996 Alexandre Henry

Quando é preciso ajuda

Há alguma coisa errada no ar, há sim. Ninguém sabe responder ao certo o que é, mas aqueles que são a geração do futuro estão envolvidos em uma nuvem negra. Como diria a velha frase, parece que ainda fazemos parte da "geração perdida", para nossa própria infelicidade.

Nos anos 70, um filme marcou bastante a todos que o assistiram. Ele contava a história de uma garota que aos 13 anos de idade já se prostituía em uma estação de Berlim Oriental, para conseguir grana e poder sustentar seu vício. Cristiane, hoje ainda perdida no seu mundo, simbolizou uma revolução lenta que teve início nas primeiras viagens de chá, lá pela década de 60 afora, mas que na verdade vem de muito antes. Quem conhece a história sabe dos africanos que entregavam seu próprio povo aos traficantes de escravos para receberem a loucura proporcionada pelo ópio. Bem antes, o álcool já era uma praga milenar.

Mas agora, ou melhor, desde o final da década de 70, as coisas têm piorado. Parece que a juventude embarcou numa viagem alucinante, sem volta, sem rumo, entregue ao barato que é estar com a cabeça ligada pela química da heroína ou da cocaína. E não é somente isso, é muito mais. É o crescimento assustador da população, a crise dos anos 80, que abalou a moral dos brasileiros e jogou água fria nos sonhos de toda uma galera que se preparava para encarar o mundo. Como sobreviver num lugar onde os mais velhos se debatem por um emprego de poucos tostões? Para a juventude, obrigada a pegar no batente desde cedo para ajudar no feijão de casa, começou a se formar uma imagem de dois mundos opostos: um, composto pela realidade, pelo dia a dia no trabalho; outro, aquele recheado de produtos novos, de nomes famosos, de sonhos.

Esse assunto parece meio batido, mas é a realidade e não pode ser deixado de lado. Alguém por acaso assistiu ao mais recente símbolo da geração perdida? No final do ano passado, "Kid's" chocou o mundo ao mostrar a realidade assustadora dos adolescentes pobres norte-americanos, largados no vício e entregues ao sexo e aos pequenos crimes desde cedo. É muita ingenuidade pensar que são forçadas aquelas cenas da garota ainda nos últimos momentos da puberdade, embalada em uma viagem e transando com outro garoto da sua idade. E o quanto é triste e deprimente o desfecho do filme, quando a garota não tem forças suficientes para dizer ao parceiro que está com AIDS!

Isto tudo está aí nas ruas, infelizmente. Está no Brasil, está nas favelas, assim como está nos garotos de classe média, está em todos os lugares. No começo, foi tudo uma aventura, uma quebra de tabus; era o prazer de se entregar a uma fumacinha ou a uma bebidazinha que dava um negócio esquisito na cabeça, deixava zonzo, fazia ver coisas que não existiam. Mas a barra foi pesando, o bicho foi pegando e surgiram viagens mais pesadas. Hoje, quem embarca na coca, por exemplo, dificilmente consegue largar o vício. E o pior de tudo é que ele sempre vem acompanhado de outros males, vem junto com a desestruturação da família, os pequenos furtos dentro de casa, os primeiros assaltos na rua. É triste, muito triste. E aos poucos o buraco se torna maior, é crack, ecstasy, um monte de m... pra afundar de vez quem está conhecendo a vida agora.

Eu peço até desculpas pelo papo baixo astral, mas há de se gritar por ajuda a esse pessoal de agora. É preciso um pouco mais de coragem, de esperança pelo menos, porque, se já não somos, daqui há pouco seremos a força desse mundão e não será legal dizer aos nossos filhos que nossa história não teve um final feliz. Piegas? Triste, isso sim. Não importa de que forma, apenas que seja agora, ou então será tarde demais, mas é preciso repensar e mudar a situação. É preciso frear toda essa podridão que tira o brilho da juventude, drogas, o trabalho precoce, prostituição infantil e adolescente, abusos, AIDS, tudo. Há dez anos, um roqueiro tachava nossos irmãos mais velhos de "geração coca-cola". Parece que já deixamos o sobrenome "cola". O que nos resta mais? Lutar, ter esperanças e, quem sabe, conseguirmos uma ajuda. Há muita gente precisando dela!

Alexandre Henry

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Comentários

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