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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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16 de Dezembro de 2015 Alexandre Henry

Pesquisas sem rumo

Está no Congresso, em estágio avançado, um projeto de lei (PLC 77/2015) que trata sobre a pesquisa científica no Brasil. Para o ANDES, sindicato que representa os docentes no ensino superior, é uma lei que privatiza a produção científica e tecnológica.

Posições sindicais à parte, até porque ainda não estudei em detalhes o PLC 77/2015, o fato é que sempre achei a universidade demasiadamente isolada do mercado. O raciocínio é simples: quem banca as instituições de ensino superior públicas no país é o contribuinte, com seus impostos. O contribuinte é o empresário, mas também é o empregado. Ambos querem a mesma coisa, ainda que com propósitos diversos: que a economia fique sempre aquecida, o mercado de consumo em alta e novos postos de trabalho sendo abertos. Para o empresário, interessa que a universidade produza conhecimento que aumente seus lucros. Isso é óbvio. Mas, quem está lá apertando parafuso na linha de montagem de uma fábrica também quer uma pesquisa produtiva. O trabalhador não está interessado no lucro do patrão, mas em novas tecnologias que facilitem seu trabalho, diminuam os riscos laborais, produzam conhecimentos que melhorem suas vidas, enfim, todos querem a universidade gerando inovações que transbordem os muros da academia. E é aí que entra um problema sério, do qual pouca gente fala atualmente: que tipo de pesquisa interessa ao país?

Qualquer produção científica é importante, desde estudar o batimento das asas de um mosquito da Tailândia até analisar a métrica da obra de uma poetisa mexicana do século XVI. Só que o dinheiro é limitado e não dá para pesquisar tudo. Em um país com escolas sem carteiras, não é possível nos darmos ao luxo de pesquisar qualquer coisa, como se os recursos fossem infinitos. Pelo que me parece, porém, a universidade não trabalha com essa mentalidade. Pesquisa-se o que o orientador acha que deve ser pesquisado, mesmo que esteja longe das prioridades de sua área para o Brasil. Não conheço universidade pública que tenha um sério e competente comitê para dizer: "olha, meu amigo, sua pesquisa é bacana, mas vamos pesquisar algo que tenha mais retorno para nosso país, já que nosso orçamento é limitado"?

Enfim, eu acredito que a ciência deve ser livre. Porém, liberdade total só com o dinheiro próprio. Quer pesquisar com o dinheiro público? Então vamos nos concentrar no que pode dar mais retorno para o nosso empobrecido Brasil. Não dá mais para aceitar projetos de pesquisa cujas justificativas não tragam, expressamente, qual será o retorno efetivo para a sociedade. Para fechar, um alerta: o melhor é que a própria universidade se adiante e faça esse controle, sob pena de alguém de fora tomar essa atribuição para si.

Alexandre Henry

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Comentários

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