Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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27 de Maio de 1996 Alexandre Henry

Para não perder tempo

Agora sim, agora seria a hora ideal para desejar "Feliz Ano Novo". Isto porque, graças a Deus, o Brasil ainda carrega a magia de parecer estar de férias até o carnaval. Na verdade não está, como todo mundo sabe, mas pelo menos a alegria e a descontração dessa época deixam as pessoas mais de bem com a vida.

E já que o assunto é a volta pro dia a dia, eu queria dizer que fiquei impressionado ao ler nos jornais sobre a saída do carnavalesco Miguel Falabella da Escola de Samba Império da Tijuca. O quê?! O cara também é carnavalesco? Juro que dessa eu não sabia! Todo mundo viu há algum tempo a reportagem que mostrava o Falabella como um verdadeiro camaleão: ator, apresentador de programa de TV, diretor de teatro e por aí afora; agora me vem um e diz que o cara também é um dos responsáveis por toda uma escola de samba?!

Confesso ter ficado impressionado com tamanha dedicação pelo trabalho, o qual, aliás, ele deve fazer com muito prazer, ou então não suportaria essa imensa carga de afazeres. É bom ver exemplos como o Falabella, eles mostram que o trabalho, como já pregavam os grandes nomes da Reforma Protestante, é a melhor maneira para se chegar à riqueza. E eu digo mais: chegar à riqueza em vários sentidos, tanto no monetário quanto no espiritual, pessoal, sei lá, em tudo! É por isso que eu me revolto quando vejo uns infelizes reclamando de falta de sorte. Que falta de sorte que nada! Eu faço uma aposta: tente saber por que são infelizes; eu digo que a maior parte tem como causa principal a preguiça. Quando alguém fica reclamando muito da vida, falando mal dos outros, botando culpa em todo mundo, pode saber que no fundo é pura inveja por não ter a mesma coragem que os outros para enfrentar o trabalho e o cotidiano. Se você está de bem consigo mesmo, em dia com as suas obrigações, a cabeça nem presta atenção nas outras pessoas, fica mais preocupada é em cuidar de si.

Eu estou falando tudo isso só pra fazer uma ligação com a estrada que está começando com esse fim de carnaval. Agora é uma boa hora para arregaçar as mangas e botar a casa em dia. Se ainda não é o momento para arrumar um emprego porque você é muito novo, vá fazer inglês, computação, teatro, música, esporte, qualquer coisa, menos ficar parado. Não dá pra desperdiçar essa força que a gente carrega por ser jovem, é preciso botar a mão na massa e agitar o esqueleto. E já que muitos de nós ainda podem ficar livres da responsabilidade de ganhar o próprio pão, que tal fazer uma atividade interessante? Eu já disse: há muito para se fazer que pode servir de uma eterna fonte da juventude para a alma. Por exemplo: se você tem condições financeiras, ou mesmo se não tem, faça uma atividade cultural como teatro. Pode ser um grupo dos mais amadores, com certeza você não irá se arrepender das horas em que passar brincando de ser ator. E quem sabe depois você comece a se interessar pela leitura? Nada mais natural, afinal de contas há grandes obras feitas especialmente para os palcos (vide Nélson Rodrigues). E depois de gostar de ler, você acaba se interessando pela música que vai servir de trilha para a peça. Pronto: daqui a pouco você vai estar muito mais culto do que muita gente quarentona! Mas pode ser outra coisa, um esporte quem sabe. Ou se já tiver ânimo, um bom curso de computação para entender o que é esse negócio de Internet que todo mundo está falando mas que você nem imagina o significado.

Pois é isso aí: apenas digo para não deixar o corpo parado, isso é pura bobeira, é perder o valioso tempo que não volta nunca mais. E se a gente tiver coragem para vencer a preguiça, fica muito mais fácil de ir conquistando desde cedo o próprio espacinho nesse mundo tão concorrido. Pessoas como o Miguel Falabella e muitos outros só conheceram o gostinho do sucesso porque agarraram com unhas e dentes todas as oportunidades desde cedo, sem medo de enfrentar qualquer tarefa. E pode ter certeza de que essa gente que venceu é muito feliz e não se arrepende nem um pouquinho de não ter ficado três horas à frente da televisão todos os dias, assistindo ao sucesso alheio. Não queira, como já dizia a música, falar de coisas que você aprendeu nos discos (ou na TV!); é muito melhor ter o que falar de nossas próprias vidas!

Mãos à obra que o carnaval agora é só no ano que vem!

Alexandre Henry

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Comentários

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