Modo de Ver

HOME   /   MODO DE VER   /   O SER E O FAZER DIFERENTE

A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


4 Comentários  
356 Visualizações  
24 de Abril de 1996 Alexandre Henry

O ser e o fazer diferente

Vários pontos contribuem para que algo, como um filme ou uma banda de rock, façam sucesso. Mas há um caminho para o estrelato que é como uma encruzilhada: de um lado, uma estrada em direção às multidões; do outro, rumo ao ostracismo.

Eu tentei poupar quem normalmente lê esta coluna de mais e mais palavras sobre os Mamonas Assassinas. Eu simplesmente não tinha nada a acrescentar, só isso já foi o bastante para não fazer qualquer comentário a respeito do desastre. Agora eu pego os Mamonas para dar um exemplo justamente do que eu estava dizendo. A turma do Dinho enfrentou aquela encruzilhada e conseguiu pegar o caminho da fama, principalmente porque eles se propuseram a fazer algo que ninguém tinha feito antes, não com uma qualidade suficiente para arrebatar multidões. O que aconteceu? Venceram. É, tá certo, não desfrutaram, mas isso é uma outra história...

Como sempre, estou pegando esse assunto pra falar de outra coisa. Não sei se você já percebeu, mas há uma série de filmes que andam à margem do que normalmente se costuma ver nas telonas. Não estou falando de filmes de arte, com todo aquele negócio viajante de faculdade, teorias e mais teorias. Estou falando simplesmente dos caras que pegam uma história maluca, fazem um roteiro mais maluco ainda e mandam ver. É preciso muita coragem pra fazer isso, ou então um nome que garanta pelo menos a bilheteria, afinal de contas nenhum produtor de Hollywood é otário de entregar milhões de dólares a um cineasta a troco de nada.

Casos em que o nome do cineasta são a garantia para um roteiro maluco não são difíceis de se encontrar. Lembro-me do "Satyricon", de Frederico Fellini, um filme muito doido. Se não fosse o nome de Fellini e um pouco do seu talento, é claro, ninguém daria um tostão furado pro filme. É uma história, ou melhor, várias cenas da Roma antiga, com bastante sangue e o homossexualismo da época à vontade. Mas tudo sem uma seqüência muito lógica, reflexo da idéia básica de Petrônio, autor da história.

Em um caso mais recente, a situação foi favorável não apenas pelo nome do diretor, mas pelo elenco de primeira e um roteiro realmente diferente. Estou me referindo a "Pulp Fiction", aquele filme malucão que bagunçou a cabeça de muita gente acostumada com o começo, meio e fim das produções de Hollywood. Meus Deus, que coisa mais maluca! O filme começa no final, que por sinal é também o começo, depois tem um monte de histórias interligadas e ao mesmo tempo independentes, aí o Travolta morre mas ele não está morto, porque o filme termina com ele vivo... Se você quiser ver a lógica da coisa, esqueça! "Pulp Fiction" não foi feito para ter uma lógica ou seqüência cronológica certinha. É aquilo e pronto acabou. Como o próprio nome diz: uma ficção barata.

Esses dois exemplos ilustram o que eu falei sobre as pessoas que preferem o imprevisto, o diferente, à mesmice rotineira. Arriscam mesmo sabendo dos enormes riscos. E pra finalizar esse papo de hoje e chegar aonde eu queria chegar, gostaria de falar sobre um filme lançado na semana passada: "Os Suspeitos". Quer uma sugestão? Vá assistir! Na minha ingênua opinião, o filme é algo entre "Seven", com todo aquele clima policial, e "Pulp Fiction", de onde vem um roteiro muito bem trabalhado e longe do casual.

É a história de cinco criminosos que se juntam para a cartada final. Mas há um bandidão maior, que ninguém sabe se realmente existe, e é aí que mora o "tchans" do filme. Vencedor de vários prêmios de melhor roteiro original, "Os Suspeitos" conta com uma ótima atuação do Kevin Spacey e uma seqüência que deixa a gente meio perdido no começo, por causa de suas várias idas e voltas no tempo, mas depois tudo acaba bem. Não é como "Pulp Fiction", onde não há uma lógica exata dos acontecimentos, porém é inteligente o bastante para se diferenciar do resto. Além disso, tem uma frase que nunca mais vou esquecer: "O que importa é fazer o que o outro não faz, só isso".

Não perca a dica, se você gosta de cinema. Mas, como a própria publicidade do filme pede, não revele a ninguém o nome do bandidão. Eu já sei quem é, falta só você descobrir!

Alexandre Henry

Avalie o texto:

Comentários

  1. YnRPH8wYUq

    22 de Dezembro de 2016 às 23:55

    You know what, I'm very much inlinced to agree.

  2. oFn7l4sOZ

    24 de Dezembro de 2016 às 10:46

    Well I guess I don't have to spend the weekend <a href="http://rsbsmbco.com">fiugnirg</a> this one out!

  3. MREV9xyBobM

    25 de Dezembro de 2016 às 17:14

    Going to put this arclite to good use now. http://pkcyir.com [url=http://akxwheqfj.com]akxwheqfj[/url] [link=http://vfzcjj.com]vfzcjj[/link]

  4. 7kLTaw1aHI8

    25 de Dezembro de 2016 às 23:36

    Why does this have to be the ONLY <a href="http://drbwmnmis.com">rebllaie</a> source? Oh well, gj!

Envie seu comentário

Seu email não será exibido.*