Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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18 de Fevereiro de 2015 Alexandre Henry

O pulso ainda pulsa

A notícia foi devastadora. Ele tinha apenas 39 anos e uma carreira promissora quando recebeu o diagnóstico: tinha contraído poliomielite, a maldita doença que causava paralisias no corpo. Sua mãe, muito protetora e de grandes posses, sugeriu que ele largasse a vida pública e se dedicasse à atividade de colecionador, seu passatempo preferido. Porém, ele recusou aquela proposta que significava uma renúncia à vida e foi em frente: tornou-se governador do estado de Nova York e, posteriormente, o presidente dos Estados Unidos da América, eleito quatro vezes para o cargo.

Franklin Delano Roosevelt não está sozinho no grupo daqueles que padeceram por problemas graves no corpo, mas se recusaram à entrega e continuaram firmes e fortes. Outro presidente americano, John F. Kennedy, sofreu inúmeras doenças na infância e juventude. Sua vida adulta foi marcada por dores crônicas e severas na coluna, quase incapacitantes. JFK se casou, lutou na II Guerra Mundial e teve uma carreira política de sucesso, só interrompida por uma bala assassina. Fora do mundo político, temos outros exemplos. Em sua volta ao mundo, que rendeu material para pesquisas que mudariam nossas vidas, Charles Darwin passou por sérios problemas no sistema digestivo quando estava no Chile e nunca mais se recuperou. Passou a vida com dores fortíssimas no estômago, vômitos e tremores, entre outros sintomas. Não se entregou e seus estudos estão entre as maiores contribuições individuais para o desenvolvimento da humanidade.

Pensei nesses três exemplos, que são acompanhados de inúmeros outros, quando passei mal novamente na semana passada. Em 2008, tive problemas no sistema digestivo e nunca mais fui o mesmo. Volta e meia, mesmo com todos os cuidados, ainda me vejo em problemas. Nada que ponha a minha vida em risco, mas sabe aquele probleminha de saúde que te incomoda bastante e te deixa inseguro e irritado? Pois histórias como a de Roosevelt, JFK e Darwin me empurram para frente. Seus problemas eram bem maiores e eles tiveram vidas brilhantes e de sucesso. Por que eu devo me render a um incômodo? Mesmo com uma infinidade de males, o corpo ainda é corpo e o pulso ainda pulsa, como cantaram os Titãs. Infelizmente, a gente pode até tentar evitar alguns problemas de saúde, mas há males que estão além do nosso alcance. Aí, o caminho se divide em duas estradas: recolher-se e sobreviver enquanto o coração não para ou simplesmente seguir em frente, com todas as dificuldades que uma paralisia, dores severas na coluna ou um estômago agonizante podem trazer. Entregar-se ou lutar: essas são as opções. No auge das crises, a nossa tendência é sucumbir. Mas, se a mente estiver forte, dá para seguir em frente.

Alexandre Henry

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Comentários

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