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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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25 de Março de 2015 Alexandre Henry

O melhor dos dois mundos

É uma característica do ser humano querer o melhor dos dois mundos, especialmente no caso do brasileiro. Compara-se sempre com o que o outro tem de melhor, mas querendo somente os bônus, nunca os ônus.

Nós queremos uma prestação de serviços por parte do estado igual à dos países do norte da Europa, mas queremos pagar impostos como os americanos, cujo país adota a ideia do estado mínimo. Queremos uma gasolina barata, como nos EUA, mas lá o diesel custa mais caro que a gasolina e nós não queremos que o governo deixe de subsidiar o diesel aqui. Nós queremos uma boa aposentadoria, mas não queremos trabalhar até os 65 anos de idade como nos países do primeiro mundo. Também não queremos perder as pensões absurdas que fazem com que uma mocinha de 18 anos receba pensão integral até o final da vida. Nós queremos uma produtividade como a japonesa, mas sem adotar apenas os dez dias de férias tão comuns por lá. Queremos salários maiores, mas sem flexibilizar contratos. Nós queremos um ensino básico de qualidade, público e gratuito, mas não aceitamos que o ensino superior seja pago. Aliás, não aceitamos sequer que as universidades públicas sejam cobradas para serem eficientes. Nós também queremos uma justiça célere, com julgamentos rápidos. Só não diga à OAB que será preciso diminuir as infinitas possibilidades de recursos processuais, pois isso a gente não quer. Outro desejo intenso é um trânsito mais civilizado, mas se o guarda vier nos encher o saco porque paramos o carro um pouquinho na vaga de deficiente físico, isso nós não aceitaremos. Queremos uma cidade limpa, mas não queremos levar o lixo até a lixeira (mesmo nos raros casos em que a lixeira está a menos de dez metros). Sonhamos com um país sem dengue, mas não queremos cuidar das poças de água parada em nossas casas. Desejamos ardentemente uma cidade sem terrenos baldios e cheios de mato, mas quem tem terreno não quer fazer calçada, cercar e capinar com frequência. Queremos paz em nossos lares, mas que ninguém reclame se fizermos barulho até de madrugada.

Sinto dizer, mas não é possível ter o melhor dos dois mundos. Um país civilizado e seguro de se viver cobra uma grande participação de seus cidadãos. Também precisamos decidir que tipo de estado nós queremos, em uma discussão para além dos problemas da política e da corrupção. Ou adotamos o modelo europeu, com o estado fazendo muito pelo cidadão, mas cobrando imposto de renda que às vezes passa dos 60%, ou adotamos o modelo americano, mas sem querer saúde e educação universal de graça. Enfim, precisamos escolher em que mundo nós queremos viver.

Alexandre Henry

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Comentários

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