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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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2 de Novembro de 2016 Alexandre Henry

O mal do século

“A patologia social dos tempos modernos é tentar controlar a vida dos outros” – escreveu Hélio Schwartsman na Folha de S. Paulo do último dia 26 de outubro. No mesmo jornal, escreveu Mariliz Pereira Jorge: “Marcela não me representa. Angela não me representa. Maria não me representa. Joana não me representa. Eu me represento. Já é bem difícil, nenhuma mulher adulta precisa de outra dizendo o que é certo ou errado. De que adianta me livrar do patriarcado para ter no meu cangote a patrulha de mulher dizendo o que e como devo ser? Só digo uma coisa: não passarão”.

Os dois textos envolviam discussões sobre comportamento humano, ambos tocando no polêmico assunto da “Escola de Princesas” aqui de Uberlândia, sobre o qual esta coluna e este CORREIO já trataram lá em agosto de 2013. O tema agora ganhou repercussão nacional, depois que a empresa começou a abrir franquias e uma delas foi adquirida pela filha do Sílvio Santos.

Bom, mas não é sobre essa escola que quero falar. Miro no ponto central das duas frases citadas no primeiro parágrafo: o patrulhamento que foi instaurado em nossa sociedade nos últimos tempos. Todo mundo decidiu estabelecer o que o outro pode ou não pode ser, o que o outro deve ou não deve ser. A cada dia, você se depara com mais gente apontando o dedo na sua cara e dizendo que você deveria adotar um comportamento determinado. Que mundo é esse? Aonde é que queremos chegar com tudo isso? Sinceramente, as coisas estão ficando muito chatas. Por que simplesmente não deixamos o outro ser feliz do jeito que ele quer? Quando eu olho para uma pessoa, eu tento, antes de tecer qualquer crítica a ela, fazer algumas perguntas para mim mesmo. O que aquela pessoa faz é ilegal? Suas atitudes e escolhas provocam dor e sofrimento em alguém? Ela está impedindo os outros de seguirem em frente e de serem felizes? Se as respostas forem negativas, então a vida daquele ser humano não me diz respeito e não deve ser motivo de preocupação ou infelicidade para mim, muito menos de crítica ou reprovação.

Aliás, eu costumo ir ainda mais longe, adotando a máxima de que é melhor alguém ser esquisito, mas inofensivo e feliz, do que se encaixar em certos padrões sociais, mas provocar danos a terceiros ou ser uma pessoa infeliz. Já viu alguém transbordando de felicidade causar mal a outro ser humano? Muito difícil, exceto quanto aos sádicos. Gente feliz fica na sua, em paz, contribuindo para um mundo melhor, ainda que sem fazer nada.

É isso. Deixemos de tentar controlar a vida dos outros, deixemos de estabelecer como padrão Marcelas, Ângelas, Marias ou quem quer que seja. Ser feliz é o que importa.

Alexandre Henry – Escritor

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Comentários

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