Modo de Ver

HOME   /   MODO DE VER   /   O ÍDOLO, A OBRA E A PESSOA

A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


4 Comentários  
298 Visualizações  
13 de Abril de 2016 Alexandre Henry

O ídolo, a obra e a pessoa

Eu sempre fui muito fã da Legião Urbana e da obra de Renato Russo. Se havia alguém a quem eu podia chamar de "meu ídolo" era ele. Tenho todos os CD's da Legião e também os solo de Renato. Costumava ouvir muito mais as canções que marcaram a minha juventude, mas volta e meia ainda me pego escutando "Pais e filhos", "Há tempos" e outras músicas da banda.

Renato Russo não era um exemplo perfeito como pessoa. Não que fosse mau caráter, ao menos pelo que se sabe. Acontece que ele era um dependente químico, alcoólatra, depressivo e, segundo muita coisa que já li, pessoalmente muito chato. Outro roqueiro dos anos 80 que também foi uma espécie de ídolo para mim foi Cazuza, cuja poesia das canções suplantava, em muitos casos, até mesmo a maestria de Renato Russo. E, assim como o vocalista da Legião Urbana, sempre me pareceu que Cazuza não era um grande exemplo na vida pessoal: filho de papai, às vezes esnobe, inconsequente, imprudente e por aí vai. Como esses dois cantores, eu poderia citar dezenas de artistas cujas obras são absolutamente marcantes, mas cujas vidas pessoais nunca despertaram a mesma admiração quase unânime do público.

Aonde eu quero chegar? A Chico Buarque, claro. Os olhos azuis (ou verdes?) da MPB nunca estiveram imersos em tanta polêmica como nos últimos tempos. De quase unanimidade, por conta da indiscutível qualidade de sua obra, Chico Buarque passou a ser criticado de forma feroz por setores que não toleram a complacência que ele tem com o governo atual e a defesa que ele faz da esquerda. O seu caso nos leva à inevitável pergunta: como separar o ídolo da pessoa?

Difícil, eu confesso. Mas, necessário, até porque nem todo mundo pode enxergar como defeito a característica pessoal do artista que tanto te incomoda. Renato Russo era depressivo? Muita gente vai dizer que, na verdade, ele era sensível à tragédia que é a vida humana em um país subdesenvolvido. Cazuza era inconsequente? Há quem diga que a inconsequência era justamente a semente de sua poesia e, sem ela, não existira o artista. E Chico? Quem gosta do governo atual vai achar não apenas que ele não está errado, mas que seu posicionamento é a coroação de toda uma obra que, lá no fundo, sempre esteve marcada pela crítica social. E se você não tem a mesma opinião sobre a sensibilidade de Renato Russo, a inconsequência de Cazuza ou a paixão pela esquerda de Chico? Ora, esqueça a pessoa e fique com o artista. Ou melhor: fique com a obra do artista. Separe criador de criatura. O filho já nasce como pessoa diferente da mãe, ainda que herde seus genes. Se o filho te agrada, isso já basta.

Alexandre Henry

Avalie o texto:

Comentários

  1. dzxtRFiqHYvo

    22 de Dezembro de 2016 às 23:40

    Frankly I think that's abeulotsly good stuff.

  2. v8gKj0l0qIC

    24 de Dezembro de 2016 às 10:46

    I want to send you an award for most helpful <a href="http://wdjiobetqqo.com">inrentet</a> writer.

  3. iQDOCyS4

    25 de Dezembro de 2016 às 17:14

    Your thnnikig matches mine - great minds think alike! http://dvhmaxi.com [url=http://kalkwvkfwry.com]kalkwvkfwry[/url] [link=http://kdcukzpfrn.com]kdcukzpfrn[/link]

  4. spfP1M9hHUCb

    25 de Dezembro de 2016 às 23:36

    Great <a href="http://grerzst.com">inshgit!</a> That's the answer we've been looking for.

Envie seu comentário

Seu email não será exibido.*