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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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5 de Outubro de 2016 Alexandre Henry

Nem sempre há um culpado

Muito já se disse sobre termos na atualidade uma geração de supersensíveis, pessoas com uma estrutura emocional muito fraca, sem capacidade para enfrentar as adversidades e extremamente sujeitas a se sentirem ofendidas por qualquer coisa. Eu mesmo escrevi sobre o tema aqui em junho de 2015.

Continuo com a mesma percepção, mas vou além: estamos diante de uma geração que quer achar um culpado para tudo o que de ruim acontece, incluindo os próprios fracassos. Vejo isso diariamente nos pedidos mais diversos de indenizações que me chegam. A sensação que tenho é a de que, se alguma coisa deu errado com a pessoa, alguém tem que pagar por aquilo. Se ela não achar nenhum cidadão ou empresa que pague, então que o governo seja responsabilizado. Em muitos casos, fica nítido que há gente querendo apenas levar vantagem. Mas, em outros, o que eu vejo é gente realmente acreditando que deve receber uma recompensa por ter sido contemplada com o azar. De preferência, claro, em dinheiro.

A questão é que viver não é seguro. Esse é o ponto que a geração supersensível não entende, insistindo em achar um culpado para toda e qualquer desgraça. Quando pequenos, se a boneca cai da janela e se quebra ou se a chuva estraga o brinquedo eletrônico, papai e mamãe acabam dando outro. Só que a vida adulta não funciona muito bem assim e você acaba é ficando sem boneca ou brinquedo eletrônico mesmo, ainda que a culpa do estrago não tenha sido sua. Raios caem, doenças não pedem permissão para entrar e acidentes podem acontecer por conta do acaso, sem que ninguém mova um só dedo para isso. E, quando o vento da desdita tocar o seu rosto já começando a se enrugar, não haverá um anjo protetor para te colocar no colo e te dizer que amanhã comprará outro brinquedo. É, meu caro, a desgraça é mais cega que a justiça. Se a gente der uma forcinha, aí então é que os infortúnios vêm com mais facilidade. Sexo sem segurança, carro sem cinto, seguro vencido, portão destrancado... A lista é infinita. Uma pequena contribuição nossa e o "azar" mostra a sua cara no mesmo segundo. E aí? Alguém tem que ser responsabilizado por isso?

Não, não tem, nem mesmo o governo. Claro, se você pagou a sua conta direitinho e a empresa colocou seu nome no SPC, se o médico esqueceu uma pinça dentro do seu abdômen ou se seu carro foi para as cucuias porque um idiota não respeitou o pare, há caminhos para seu azar ser reparado, ainda que parcialmente. Mas, comece a se acostumar porque nem sempre será assim. Boa parte das tragédias são como o câncer: ou te escolhem aleatoriamente ou chegam depois de você dar uma ajudinha, não abrindo qualquer oportunidade para que você encontre um culpado pelo seu azar.

Alexandre Henry

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Comentários

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