Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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31 de Julho de 1996 Alexandre Henry

Isso é uma palhaçada

Existem certas coisas vergonhosas no Brasil passando despercebidas diante dos olhos do povo, que simplesmente ignora a situação. Quer um exemplo: os crimes grosseiros dos meios de comunicação, que ao lado da OAB formam o poder paralelo mais intocável do país, desde que o General Figueiredo foi cuidar dos seus cavalos.

O que estão fazendo agora com o palhaço Tiririca me deixa profundamente irritado, porque a imprensa, TVs e rádios foram os próprios responsáveis pela construção de um personagem que se mostrou desde o início o produto mais sem graça do Ceará, o nosso Estado do humor. Ah, pelo amor de Deus! Gente, esse palhaço começou com uma musiquinha nas rádios, que a tocavam incessantemente, como se fosse uma maldição do seu refrão repetitivo. Até aí, tudo bem. O problema é que era só uma música e de um humor contestável, ou pelo menos inferior às de muitos outros comediantes que o Brasil tem. Depois, numa ânsia de dar ao povo uma nova alegria para abafar a dor da perda dos Mamonas Assassinas, esses sim, verdadeiros reis do riso, os meios de comunicação simplesmente expuseram ao máximo uma pessoa que não tinha base para sustentar a imagem que lhe foi criada. Até hoje, eu escutei apenas duas músicas do Tiririca, dizem que o resto não vale nada, além disso nas vezes em que o vi na TV achei uma figura muito sem graça. Não tem nada a ver, o cara só serve para animar um circo de bairro, só isso!

Essa realidade foi percebida por muita gente, mas os meios de comunicação insistiram em elevar o palhaço a um degrau muito alto para ele. Depois, como se vissem a terra infértil onde jogaram as suas sementes, as mesmas rádios, televisões, jornais e revistam escracharam o Tiririca. Estava na cara que isso iria acontecer! Bastou uma juíza condenar uma música, aplicando uma pena um tanto quanto radical para um país onde piadas preconceituosas sempre fizeram sucesso, para esses mesmos meios de comunicação acharem a desculpa ideal e necessária para chutar o cearense. Que me perdoe a juíza, mas já vi coisa pior do que aquilo e nunca ninguém falou nada contra. Combate ao racismo sim, crucificação de um artista medíocre que subiu ao pódio por manchetes alheias, não!

O pior de tudo é que jornais e revistas, como a que publicou nessa semana uma reportagem contra o Tiririca, colocam-se como se estivessem por cima de tudo, ausentes de qualquer responsabilidade. Mas quando é preciso, aí puxam a farinha para os seus sacos e saem como a verdadeira locomotiva da democracia. Acabam por construir um mundo de demagogia em cima de uma realidade democrática tão frágil que fica impassível diante das desigualdades sociais. Quer mais? Basta lembrar alguns casos antigos, como o da Escola Base de SP, onde a imprensa e as TVs condenaram precipitadamente pessoas inocentes, acusando-as de crimes sexuais inexistentes e destruindo as suas vidas. Na minha opinião, o editores e chefes de redação dos meios de comunicação que divulgam notícias falsas como aquelas deveriam ser presos por difamação e outras penas piores. Se todo mundo comete erros e deve pagar por eles, até mesmo uns poucos políticos que sofreram nas garras da justiça, por que os donos de veículos de informação não podem? Às vezes, eles mesmo cometem crimes bem mais graves, que só pessoas como os acusados da Escola Base sabem a dor horrível que é ser vítima de uma notícia apressada e infundada, interessada apenas em mais um ou dois pontos de audiência para aumentar o faturamento publicitário do veículo.

Eu fico nervoso mesmo. Os meios de comunicação erram, constroem uma ilusão que é o Tiririca e depois o destroem como se ele fosse um lixo, e não um produto criado pelas próprias telas e páginas impressas. Isto sim, é falta de seriedade, num país que luta para deixar as suas desigualdades gritantes para trás, mas que só patina com uma política amoral e com instituições imunes a penalizações. Uma emissora de TV ou um veículo de imprensa não pode se achar no lugar da justiça, pois não tem esse poder nem esse direito. O brasileiro precisa parar de acreditar cegamente em tudo o que os meios de comunicação dizem, porque senão vai ser difícil construir o país que todos desejamos, ou seja, que pelo menos respeite as pessoas nos seus direitos de cidadãs.

Alexandre Henry

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Comentários

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