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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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10 de Setembro de 2015 Alexandre Henry

Encontros de família

Neste feriado prolongado, a família da minha esposa promoveu uma reunião bem bacana, que começou no sábado e só terminou na segunda. Eram, em sua maioria, primos na casa dos seus 45 a 65 anos, com seus descendentes e três ascendentes. Os ancestrais comuns a todos, bisavós da minha esposa, há muito não estão aqui, razão pela qual o encontro foi ainda mais interessante, pois reuniu gente que durante muitos anos ficou sem se ver.

Encontros de grandes famílias assim estão com os dias contados. É algo que já não se vê nos países desenvolvidos, nos quais a taxa de natalidade se reduziu drasticamente desde a década de 1960. Comparo-me à minha filha. Do lado paterno, eu tenho mais de trinta primos. Do lado materno, vinte. Em resumo, eu tenho mais de cinquenta primos e, ao menos em relação à família do meu pai, os encontros eram frequentes. Às vezes, ainda acontecem. E minha filha? Do lado materno, tem três primos. Do lado paterno, quatro, com mais um a caminho. As únicas reuniões grandonas de família que ela presenciará serão essas, com os parentes mais velhos do pai e da mãe. Aliás, essa foi uma das razões pelas quais fiz questão dela ir e ficar lá um bom tempo, até para sair na clássica foto familiar, com aquele montão de gente. Ela não vai se lembrar de nada no futuro, mas a foto estará lá, para dizer a ela que havia famílias gigantescas que teimavam em não perder contato.

É, as famílias com muitos filhos estão desaparecendo, o que pode até ser ruim por um lado, mas é essencial por outro, pois o planeta não aguenta tanta gente. De toda forma, vão fazer falta essas festas que reúnem dezenas de parentes. Família é um desafio, é aquele laço que não acaba nunca, por mais que surjam brigas ou desavenças. Nas de sangue bom, nem as maiores discórdias impedem a turma de se reunir de vez em quando para falar bobagem, desafogar mágoas e, principalmente, puxar lá do arco da velha gostosas recordações de um tempo que não volta mais.

Eu aprendi a gostar desses encontros desde pequeno e, mais do que isso, aprendi a gostar de família. Por tudo isso, quando já idoso, se me for permitido viver até lá, eu vou poder dizer que vivi um tempo em que não se podia contar nos dedos os primos e as dezenas de pessoas na fotografia envelhecida eram, sim, todas da mesma família. Se eu chegar a conhecer meus netos, talvez eles não entendam como isso era possível, assim como eu tenho certeza de que nunca entenderão o mundo que o avô viu, antes de virar adulto, sem celular ou internet. Com orgulho, vou mostrar as fotos e contar desses bagunçados encontros familiares com os olhos embargados de saudade. Estou certo de que eles entenderão, ao menos, a sinceridade das minhas lágrimas.

Alexandre Henry

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Comentários

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