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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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29 de Julho de 2015 Alexandre Henry

Desculpe-me

Quem já foi para o exterior, especialmente os EUA, deve ter percebido como as pessoas pedem desculpas constantemente, às vezes sem nem precisar. O famoso "sorry" é ouvido, por exemplo, quando o sujeito percebe que entrou indevidamente na sua frente, enquanto você caminhava no shopping, atrapalhando o ritmo da sua caminhada, embora sem impedir você de prosseguir. Se ele fala com a vendedora e, logo em seguida, percebe que ela ainda estava te atendendo, novamente vem um pedido de desculpas. E assim vai: os mais simples atos que possam atrapalhar o outro, ainda que sejam banais, levam a um inevitável "sorry".

Acho o Brasil um país fantástico e, a não ser por causa da violência, nada me faria mudar daqui. Isso não me impede de sonhar, de vez em quando, com alguns comportamentos que vejo no exterior e que aqui praticamente inexistem ou, pior, são praticados ao contrário. Essa questão de pedir desculpas, de reconhecer que errou ou que simplesmente atrapalhou o outro, é uma delas. O brasileiro - em regra - parece sofrer de uma doença que o impede de reconhecer que não agiu da melhor forma, doença essa que se mostra ainda mais grave quando o assunto é pedir desculpas. A sensação que tenho é a de que, embora lá no íntimo a pessoa saiba que não está certa, reconhecer seu erro é passar vergonha e demonstrar fraqueza, o que a leva, muitas vezes, a partir para o ataque. Quem nunca tomou uma fechada no trânsito e, além de não receber desculpas, ainda foi quase agredido por ter reclamado? Quem nunca correu o risco de apanhar por dizer ao vizinho que o som dele está alto e que a madrugada é um horário de repouso? Mais do que não reconhecer o erro ou pedir desculpas, o brasileiro tem a mania de partir para o enfrentamento se alguém ousa chamar a sua atenção. Tem gente que parte para as vias de fato mesmo e muita morte já aconteceu por besteira desse tipo.

Por que não reconhecer o erro? Por que não pedir desculpas? Faça isso e você verá que é algo libertador. Em um país como o nosso, de gente tão agressiva, quando você diz "eu errei mesmo, desculpe-me", a outra pessoa fica até sem graça e a tendência é ela contemporizar, chegando a fazer uma mea culpa, ainda que só você tenha errado. Reconhecer o erro e pedir desculpas te engrandece, mostra civilidade, ajuda a evoluir, a ser uma pessoa melhor. E, claro, ajuda você a evitar que a mesma falha volte a acontecer. Agora, se você insistir em ignorar que errou e, pior do que isso, se insistir em agredir qualquer um que tenha apontado seu erro, você continuará sendo um cidadão de quinta categoria, alguém que não é digno de viver em uma sociedade civilizada e que não tem moral para reclamar de quem quer que seja.

Alexandre Henry

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Comentários

  1. j46uxfNLS8sR

    23 de Dezembro de 2016 às 02:20

    Diese wurde bis zum heutigen Dam72(t3.08.200u) nicht geändert.Zitat: „Man werde eine Information in der Fläche verbreiten“, so Ilona Mirtschin von der BA.Diese Fläche wurde wahrscheinlich nicht großzügig bemessen, denn in Sachsen-Anhalt ist diese Information noch nicht gelandet!!!

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