Modo de Ver

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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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27 de Dezembro de 2016 Alexandre Henry

Carta para Luísa

Luísa, pouco antes de você nascer, eu publiquei um texto no aniversário de 125 anos de nossa cidade, no qual eu dizia que nós dois iríamos escrever, juntos, uma coluna no CORREIO quando Uberlândia completasse 150 anos, para dizermos o quando nós dois amamos nossa cidade natal.

Você nasceu toda cheia de vida e hoje já conversa mais que o homem da cobra, como brinca o papai. Em pouco mais de três anos, muita coisa mudou por fora e por dentro de mim. Muitas mudanças, minha filha, foram para melhor, mas tenho que confessar que algumas não foram tão boas assim. Uma delas é a razão desta carta para você: ao contrário do que eu desejei antes do seu nascimento, nós dois não vamos escrever juntos um texto para o CORREIO comemorando o aniversário de 150 anos de Uberlândia. É filha, o papai está triste por isso, muito triste. É que ele escreve há tanto tempo no jornal que não sabe como ficará a rotina dele quando acordar na segunda-feira sem ter aquele compromisso gostoso de se sentar diante do computador e expressar ideias, sentimentos e emoções em um pequeno texto.

Mas, eu quis te escrever esta carta para te dizer que a vida é assim mesmo: cheia de mudanças! Sabe que, no final das contas, talvez seja isso que torne nossos dias tão interessantes? Já pensou se a gente nascesse já conhecendo tudo o que vem pela frente até o último suspiro? Acho que não teria graça. É por isso, minha filha, que você nunca deve ficar triste por muito tempo com as peças que a vida nos prega. Se eu posso te dar um conselho, digo que você não deve perder mais do que alguns minutos se lamentando por um acontecimento ruim. Dê um jeito de colocar logo a cabeça para pensar no cenário novo e em como você pode aproveitar aquela mudança para, apesar de tudo e de todos, fazer dela uma janela de oportunidades para um futuro ainda melhor. Nem sempre isso é fácil, viu? Já te adianto para que você não fique triste caso algum dia não consiga ver um novo caminho tão facilmente diante de uma mudança difícil. Mas, reforço o meu conselho: tente! Não mire no problema, mas nas possíveis soluções. Uma porta que se fecha para você acaba te levando a procurar outras portas e você pode até mesmo encontrar um caminho novo e muito melhor.

Nós dois vamos escrever, sim, um texto quando Uberlândia completar 150 anos. Não sei onde vamos publicá-lo, mas a gente dará um jeito quando for a hora. Se não for em um jornal, a gente coloca na internet, se a internet ainda existir. Ou imprime e prega na porta de casa, só para cumprir o combinado! O importante, minha filha, é seguir em frente, é perceber que a vida é boa de qualquer maneira, não importa o que aconteça.

 

Alexandre Henry - Escritor

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Comentários

  1. Alexandre Henry Alves

    27 de Dezembro de 2016 às 10:26

    Teste de comentário

  2. Alexandre Luiz H. Anrade

    27 de Dezembro de 2016 às 15:59

    Acho que todos seremos a "Luiza" ao ler a mensagem final. É isso aí, encarar as mudanças, mesmo que seja difícil, e bola pra frente. Um abraço.

  3. Maylane

    27 de Dezembro de 2016 às 17:24

    Confesso que me emocionei ao ler o texto. Fiquei lembrando da minha filha Manuella ,mque tem apenas tres anos. Quantas coisas ela nao desfrutara como eu?? Quantas coisas ela nao experiementará?? Feliz 2016 p vc primo!

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