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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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29 de Janeiro de 2014 Alexandre Henry

BBB e preconceito

Todo ano, a história se repete: começa o Big Brother e as redes sociais são inundadas de críticas não apenas ao programa, mas também àqueles que o assistem. Declarar-se fã do BBB, por exemplo, é assinar uma autorização para linchamento virtual. A história se repete em relação ao funk e a outros produtos de diversão. Na mesma velocidade das críticas, surgem os autoelogios pelo gosto à leitura, à pintura, música clássica e outras formas de cultura um pouco mais eruditas.

Fico intrigado com a preocupação que o brasileiro tem pelo modo de diversão alheio. A pessoa ganha um rótulo de acordo com o produto cultural que consome. Assim, quem gosta de livros é culto; quem gosta do BBB, idiota acéfalo. Quem ouve Mozart é refinado; quem ouve funk, imbecil. Eu não entendo essas críticas. Eu detesto funk e, mesmo já tendo acompanhado uma edição do BBB, acho o programa cansativo e sem graça. Mas, e se alguém consegue um pouco de diversão com isso? E se alguém se sente uma pessoa mais feliz por dançar funk? Desde que não coloque o som no último volume e me incomode, fique à vontade. Quem é você e quem sou eu para rotular uma pessoa só porque ela consegue se sentir bem com um produto cultural que consideramos um lixo? Não somos nós que sempre pregamos que o importante é a pessoa ser feliz? Tem gente que não entende nada de Monet, Shakespeare ou Bach, mas ainda assim é uma excelente pessoa. Deixa a menina ser feliz dançando a música dela, deixa o cara gostar do BBB! Se você gosta de uma boa leitura, acho isso incrível, pois considero a leitura uma excelente atividade não apenas para adquirir cultura e conhecimento, mas também para exercitar o cérebro por meio da interpretação de um código de linguagem – a escrita. Se a maioria das pessoas fosse adepta aos livros, talvez o mundo fosse um lugar melhor, o que não significa que uma pessoa, por si só, seja pior pelo simples fato de que ela não lê um livro sequer. Sabe quem era um leitor voraz e um verdadeiro apaixonado por música clássica? Ninguém menos do que Adolf Hitler, o que é um bom indício de que você não é o produto cultural que você consome. Hitler, inclusive, era um amante das artes, tanto que suas tropas nunca foram de destruir museus, pelo contrário.

Critique o BBB, sim. Detone o funk, se quiser. Ajude a divulgar os livros e a incentivar o gosto pela leitura. Mas, pelo amor de Deus, respeite quem pensa de forma diferente de você, respeite quem consegue ser feliz com coisas muito menos eruditas do que as que você consome. Se você for intolerante e preconceituoso, de nada adiantará ser uma pessoa absurdamente refinada quando aos gostos culturais. No fundo, será apenas mais um pequeno Hitler.

Alexandre Henry

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Comentários

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