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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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30 de Março de 2016 Alexandre Henry

As razões de cada um

Estamos em tempo de nervos à flor da pele. Já disse isso aqui mais de uma vez. As discussões na área da política estão ácidas a tal ponto que amizades de longa data têm sido abaladas, mesmo que as discussões em si nada mudem no que está acontecendo em Brasília ou Curitiba. É uma pena. Nenhuma amizade deveria acabar por divergência política.

Da minha parte, sempre tento ir além e buscar o que leva uma pessoa a fazer uma defesa tão enérgica e apaixonada de certo segmento político. Em alguns casos, descubro que a questão é financeira mesmo: se o governo cair, a pessoa ou alguém que ela gosta muito vai perder um suporte financeiro, seja em forma de um cargo público, um contrato, uma bolsa etc. O outro lado também é verdadeiro: gente que torce pela troca de governo apenas para voltar a ter chance de lucrar às custas do estado. Há aqueles que defendem uma causa para permanecer em um grupo, ainda que não exista um centavo em jogo, assim como há aqueles que defendem uma causa para se diferenciar no seu próprio grupo. Alguns casos, porém, são bem mais complexos e deitam raízes em acontecimentos de um passado distante. Tenho um amigo que defende o governo muito além do que ele mesmo consegue perceber. Uma defesa qualificada, com argumentos interessantes e sem reprodução daquela guerrilha virtual que só pega quem não tem cérebro (dos dois lados, ressalto bem). Como esse meu amigo não depende do governo atual para sobreviver, fiquei pensando no que o levaria a uma defesa enérgica como a que tenho visto. Descobri: seu pai foi preso durante o governo militar e, obviamente, ele associa - ainda que inconscientemente - os algozes do seu pai com a direita que tenta voltar ao poder. O mesmo se daria, por exemplo, com o filho de um fazendeiro que lá atrás foi agredido por um grupo de sem-terra, fato que traz lembranças tão amargas que não abrem espaço para qualquer simpatia com nada que se pareça com a esquerda.

Em resumo, há sempre algo por trás de uma defesa política enérgica. Esse "algo por trás" pode ser um interesse egoísta e desprezível, como a manutenção ou aquisição de recursos financeiros sem a preocupação com o resto do país. Mas, pode ser também um fato marcante no passado desse alguém que, longe de ser egoísta ou desprezível, impede que ele tenha simpatia pelo outro lado, ainda que existam argumentos lógicos e racionais nesse sentido. Em razão dessa realidade, a sugestão que eu dou a você é sempre tentar enxergar o que está por trás do posicionamento ideológico de uma pessoa, antes de você partir para o ataque. Às vezes, compreender as razões do outro pode melhorar em muito o debate e, com isso, salvar boas e históricas amizades.

Alexandre Henry

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Comentários

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