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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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13 de Maio de 2015 Alexandre Henry

A nudez em 2046

O assunto naquele verão do ano de 2046 foi a primeira cena em uma novela brasileira de um churrasco familiar no qual todos estavam nus, incluindo idosos e crianças. Parte dos telespectadores até deixou de seguir a novela, principalmente os de mais idade, para os quais era um absurdo expor crianças à nudez de estranhos.

A discussão tinha surgido duas décadas antes, em uma universidade alemã, a partir de um estudo que comprovara os benefícios da nudez pública no desenvolvimento individual. Inicialmente, tomou-se como premissa o fato de que a condenação da exposição dos órgãos genitais para desconhecidos era um traço meramente cultural, vez que tal situação era o padrão entre os animais. Assim, buscaram os pesquisadores verificar se, em um grupo de desconhecidos, a nudez rotineira e pública provocaria alguma influência no comportamento dos indivíduos, especialmente no tocante às relações sociais e à visão individual de temas ligados ao sexo. Ao final do experimento, feito em uma pequena vila na região sul da Alemanha, constatou-se que a nudez, quando praticada coletivamente e de forma contínua, aumentava o respeito ao próximo, a auto-estima, amenizava preconceitos ligados ao corpo e potencializava os efeitos positivos do sexo, reduzindo, inclusive, os crimes sexuais. Em uma etapa seguinte, da qual participaram crianças, constatou-se que elas, quando expostas à nudez cotidiana, não apresentavam qualquer abalo psicológico.

O mundo já sabia da existência do nudismo desde os primórdios da humanidade, mas só a partir desse estudo é que a discussão se tornou séria. Mas, mesmo com a aprovação de uma lei no Brasil tornando crime qualquer tipo de preconceito contra a nudez, somente nas grandes capitais eventualmente se via alguém nu nas ruas. Aí, veio a cena da novela e a discussão se espalhou, sendo que a maior parte da população se mostrou favorável ao rompimento daquele tabu antiquado e preconceituoso contra a nudez.

Mas, em uma rede social, João Silva, de 70 anos, desabafou: “Em que mundo estamos? Quando eu era jovem, trocar fotos de crianças nuas era crime. Fotos! Imaginem ao vivo?!”. Indagada acerca das palavras de João, a Dra. Simone Ferreira, presidente da ANB – Associação para o Nudismo no Brasil, afirmou: “Vejo com naturalidade essa reação. Precisamos respeitar o pensamento daqueles que são contra a nudez, especialmente quando esses pensamentos representam apenas uma forma diferente de ver o mundo, vinda de uma pessoa que foi criada em um tempo no qual a nudez realmente era vista como algo errado. O melhor caminho é termos paciência, continuar com as campanhas educativas e deixar que a evolução dos conceitos culturais mude a cabeça das pessoas”.

Alexandre Henry

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Comentários

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