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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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10 de Junho de 2015 Alexandre Henry

A geração "F"

Li que os nascidos após a 2ª Guerra Mundial formam a geração Baby Boomer. Depois, teria vindo a minha, a geração X, nascida de meados dos anos 1960 até o final da década de 1970. Em seguida, a geração Y, da década de 1980 e criada em meio à revolução digital. Para alguns, já estamos na geração Z. Nos textos que li sobre o tema, cada grupo desses têm algumas características peculiares. Eu, por exemplo, ao menos de acordo com um texto que li no site da PUC/SP, seria cético e politicamente apático.

Particularmente, acho bobagem esses rótulos. Mas, li uma reportagem na semana passada que me fez entrar na onda e pensar em uma nova geração, a “F”. A reportagem falava de mães que só alimentam seus bebês com mamadeira, sem usar os seios. Essas mães estariam se sentindo oprimidas porque as outras mães, as que amamentam diretamente nos seios, estão publicando muitas fotos do ato de amamentação. Isso seria uma opressão contra quem quer continuar apenas com a mamadeira. Achei então o perfil da geração F: Frescura! Já escreveu alguém que temos uma geração de supersensíveis. Eu iria além: temos uma geração de frescos, de gente fraca emocionalmente quando se fala em enfrentar o mundo de peito aberto, encarar obrigações e superar desafios. Tudo bem, eu fiquei órfão de mãe com sete anos, meu pai era ex-militar e eu sou o filho do meio, ou seja, aquele que nasce sem títulos (não é o primogênito e nem o caçula) e é obrigado a lutar sozinho se quiser conseguir alguma coisa na vida. Mas, à parte a minha história pessoal, não consigo entender como as pessoas se tornaram tão frescas, tão melindradas, tão destemperadas emocionalmente. Como assim se sentir oprimida com a foto de uma mãe amamentando? Se você quer usar só a mamadeira, levante a cabeça e diga a quem te encher o saco que você vai dar só mamadeira e quem quiser que seja diferente que vá parir seu próprio filho.

Ser sensível é importante para não fechar os olhos diante dos problemas do mundo. Homem pode chorar e qualquer um pode sentir medo, além de querer preservar sua integridade emocional e moral. Porém, precisamos rever nossos conceitos. A sensibilidade passou dos limites e chegou ao ponto da frescura mesmo. É preciso que as pessoas tenham mais garra, mais peito para enfrentar o mundo e não se sentirem vitimizadas em qualquer situação. A vida é dura, pode ser muito cruel e o rebanho está cercado de lobos. Nem sempre haverá um pastor para te proteger e lágrima nenhuma vai te salvar quando os caninos rasgarem a sua pele. É preciso sensibilidade para lidar com o que é sensível, para ser mais gente. Mas, no dia a dia, um pouco de armadura, de garra e de enfrentamento são essenciais para a sobrevivência de qualquer um.

Alexandre Henry

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Comentários

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