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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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3 de Fevereiro de 2016 Alexandre Henry

A decadência das novelas

Eu guardo lembranças de assistir às novelas da Globo quando era menino, na década de 1980. "Roque Santeiro" foi uma que me marcou muito. Quando adolescente, deixei de ver. Adulto, já casado, voltei a acompanhar algumas, sendo a última a "Avenida Brasil". Depois disso, não tive mais vontade, tempo ou paciência para me sentar por nove meses à frente da TV e acompanhar, de segunda à sexta, a mesma história.

Eu não sou um crítico das novelas brasileiras e, de certa forma, já até senti uma pontada de orgulho por algumas delas que atravessaram fronteiras. Mas, o mundo mudou e, sinceramente, não sei se haverá lugar no futuro para uma produção de TV assim, que dure meses seguidos, sendo exibida seis dias por semana no mesmo horário e obrigando o telespectador a parar sua vida exatamente naquele momento, se quiser ver. Aliás, a Globo já percebeu isso e lançou, há algum tempo, um sistema de internet que permite ao assinante assistir o que ele quiser, a qualquer hora. Até pouco tempo, eu não acreditava que a TV tradicional pudesse sucumbir à internet, até pelas próprias limitações da rede. Hoje, porém, em tempos de Netflix e filmes sob demanda, acredito na sobrevivência da TV apenas por meio de uma simbiose com a rede.

Voltando às novelas, acho que elas ficarão restritas cada vez mais a um nicho menor do mercado, mesmo com a integração das emissoras de televisão com a internet. Por quê? Por inúmeros motivos. Primeiro, porque há uma diversidade gigantesca de conteúdo atualmente, sendo que as redes sociais e o próprio YouTube, que popularizou a produção de vídeos por amadores, competem com o tempo antes dedicado só à TV. Nessa realidade, é difícil convencer alguém a gastar 200 horas todo ano só com um programa. Mas, há mais: a concorrência das séries americanas. Elas são uma espécie de novela, mas há diferenças que as tornam mais compatíveis com o mundo atual. Primeiro, não são tão extensas e, quando são, prolongam-se por anos a fio, não exigindo tantas horas por ano do telespectador. Depois, elas estão disponíveis, quase sempre, na internet e podem ser assistidas quando e onde a pessoa quiser. Por fim, como elas são produzidas com mais antecedência, com um orçamento maior e com mais tempo para o autor elaborar o roteiro, geralmente conseguem prender mais a atenção.

Em resumo, temo pelas novelas. A meninada hoje, ao contrário do que aconteceu com quase todo mundo da minha geração, nunca assistiu a uma delas, mas já viu ao menos uma série. Por isso, se a realidade das novelas é ruim, com a audiência só declinando, a tendência é ficar cada vez pior, pois o público não está se renovando. É um caminho, a meu ver, sem volta.

Alexandre Henry

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Comentários

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