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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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23 de Setembro de 2015 Alexandre Henry

A crise e o trabalho

Vou ser franco e direto: um dos motivos do Brasil não ir para frente, fora toda essa corrupção, é que nós nos aposentamos cedo demais e temos um sistema de pensões inviável.

A aposentadoria dos servidores públicos, da qual eu faço parte, era mais do que insustentável. Porém, desde 1998, isso vem mudando e, hoje, a aposentadoria dos servidores que agora ingressam no setor público já é mais rígida do que a da iniciativa privada: a forma de cálculo é a mesma do INSS, o teto também é igual, mas há idade mínima de 60 anos para homens e 55 para mulheres. Claro, talvez ainda precise ficar mais rígida nas próximas décadas.

Falando em idade mínima, aí residem os principais problemas. Primeiro, há aposentadorias pelo INSS que não exigem limite etário, o que vai contra a tendência de todos os sistemas previdenciários modernos. Na Inglaterra, a partir de 2020, aposentadoria só depois dos 66 anos, independentemente do sexo. Aliás, esse é o segundo problema: não há mais razão para a mulher se aposentar antes do homem, até porque ela vive muito mais. Se o problema é a dupla jornada por conta dos filhos, a solução talvez seja aumentar a licença-maternidade, ampliar o sistema de creches ou forçar mais os pais à participação, o que já vem ocorrendo naturalmente. Mas, definitivamente, não dá para ter uma previdência sustentável com mulher aposentando mais cedo. O terceiro problema, que já foi resolvido parcialmente este ano, é a existência de pensões vitalícias. Há muita gente, de ambos os sexos, que ficou viúva bem cedo e passou a receber uma pensão pelo resto da vida, mesmo tendo condições plenas de trabalhar. Também temos um sistema de aposentadoria rural que exige apenas 15 anos de serviço na roça, além de uma idade mínima, sem - na prática - qualquer tipo de contribuição. Nosso sistema é tão equivocado que uma pessoa pode ter uma aposentadoria, pegar a pensão do cônjuge e, se for dependente do filho, ainda ficar com a pensão do filho, se ele falecer. Tudo dentro da lei. Mas, que sistema não quebra assim?

Precisamos de reformas profundas nessa área. Somos um país pobre e a riqueza só vem pelo trabalho. Se quisermos ser como Japão, EUA ou Alemanha, não podemos nos aposentar cedo e nem ter pensões insustentáveis. Quem pode trabalhar tem que trabalhar. Eu me aposentaria com 46 anos quando entrei no serviço público. Hoje, só me aposento com 58 anos. Talvez ainda seja cedo, até porque tenho 60 dias de férias por ano, outra questão que precisa ser repensada. Todos temos que trabalhar mais se quisermos que o país enriqueça. A corrupção? Os políticos? Sim, eles também precisam ser mudados. Mas, sem mais trabalho nosso, não chegaremos lá, ainda que tenhamos um bom sistema político.

Alexandre Henry

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Comentários

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