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A coluna "Modo de Ver" foi publicada semanalmente no jornal Correio de Uberlândia de janeiro de 1996 a dezembro de 2016. A partir de 2017, os textos passaram a ser publicados no Diário do Comércio de Uberlândia.


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30 de Dezembro de 2015 Alexandre Henry

2016: o ano do não

Não, não é o que você está pensando! Sim, o ano de 2016 vai ser um ano de crise. Mas, não, não é sobre crise que eu vou falar. É sobre o "não" mesmo, em outro sentido: o "não" que liberta, como me explicou outro dia meu amigo Cristiano Cury. É dele que precisamos em 2016 para que possamos evoluir como pessoas e como cidadãos.

Quantas vezes você já pediu algo para um profissional ou mesmo para um amigo e ele disse que iria fazer, mas não fez? Por que ele simplesmente não disse: "não, hoje eu não posso"? Não teria sido mais simples? Qual a razão dos brasileiros terem tanto medo - ou cuidado, sei lá - de dizer um simples "não"? Se alguém te pergunta se pode passar na sua casa amanhã à noite, mas naquele horário você vai estar totalmente ocupada, por que não dizer "amanhã não dá, mas a gente pode marcar para depois de amanhã"? Não é melhor do que dizer sim e ficar com raiva da pessoa porque ela atrapalhou suas atividades? Em resumo, como disse o meu amigo Cristiano, o "não" pode ser libertador. Quando você consegue dizer "não", você organiza melhor a sua vida para dizer "sim" quando for o caso.

E já que o "não" é o tema deste último texto de 2015, outro tipo de "não" precisa entrar no seu vocabulário em 2016. Minutos antes de eu escrever este texto, fui a uma papelaria com a minha filha, que estava meio doentinha. O dia chuvoso e a saúde dela exigiam que eu parasse o meu carro o mais perto possível da papelaria, que possuía três vagas de estacionamento. Cheguei lá e um sujeito simplesmente tinha parado o carro na rua mesmo, travando a entrada para as vagas da papelaria. Coisa de gente preguiçosa que não queria fazer uma simples manobra para estacionar. Pois eu buzinei, pedi que chamassem o sujeito e disse: "não, meu caro, você não pode estacionar assim". Duas semanas antes disso, levei minha filha ao teatro e um sujeito teve a brilhante ideia de, mais do que ficar filmando o espetáculo de balé, colocar o celular em um "pau de selfie" para pegar um ângulo melhor - e que se danasse quem estivesse atrás. Eu me levantei, cutuquei o sujeito e disse: "não, meu caro, você não vai atrapalhar o espetáculo de quem está atrás".

Enfim, faça de 2016 o ano do "não" que liberta e civiliza. Não é questão de ser negativo ou chato, é apenas de estruturar melhor a sua vida (no primeiro caso) e de tentar fazer o mundo ser um lugar mais agradável e civilizado (no segundo caso). Se todos fizerem isso, estou certo de que teremos no longo prazo uma convivência bem melhor, algo de que estamos precisando com urgência.

Alexandre Henry

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