Uma nova era para a escrita

Depois de publicar mais de 1.000 artigos no Correio de Uberlândia, esta é a primeira vez que eu produzo um texto para o jornal sem encostar um dedo sequer em um teclado de computador. Cada letra que aqui você lê foi produzida por meio de um sistema de reconhecimento de voz que transforma a fala humana em texto automaticamente, sistema presente na maioria dos telefones celulares modernos.

É uma mudança de paradigma. Os sistemas de reconhecimento de voz representam o futuro da escrita. Eu acredito que os textos passarão a ser produzidos quase que exclusivamente dessa maneira, sem se ter que digitar em um teclado. Meu raciocínio é simples: produzir um texto escrito, por meio de digitação, é algo lento e trabalhoso. É verdade que muita gente ainda vai continuar utilizando a digitação tradicional nos computadores, assim como muita gente ainda produz textos de forma manual, escrevendo com canetas e lápis. Mas, da mesma forma como um computador é muito mais prático do que uma caneta, falar e ter a sua fala traduzida em texto é bem mais prático do que utilizar as próprias mãos. Se o resultado é atingido da mesma forma, mas com menos gasto de energia, porque insistir em um meio ultrapassado?

Eu confesso que é meio difícil no começo. Estou acostumado a pensar rapidamente e as mãos que digitam não acompanham o meu pensamento na mesma velocidade. Utilizando o sistema de reconhecimento de fala, a transformação do que digo em texto é instantânea e o meu pensamento é que não consegue acompanhar as letras que vão surgindo na tela. Com o tempo, porém, acredito que eu vou conseguir pensar e falar rapidamente, da mesma forma como acontece em uma conversa normal. E, quando isso acontecer, então a produção será muito maior e mais rápida.

Logo, a maioria dos escritores se acostumará com a nova ferramenta. Aliás, criar um texto por meio de um ditado não é novidade. Winston Churchill, o primeiro-ministro da Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, ganhou um Prêmio Nobel de Literatura em 1953 e a maioria das obras que ele produziu foi feita de forma ditada, tendo pessoas que datilografavam o que ele dizia. Guardadas as devidas proporções, é um sistema semelhante ao que eu estou usando agora, só que a máquina substituiu os datilógrafos.

Enfim, com o desenvolvimento dos sistemas de reconhecimento de fala, que já estão excelentes, eu acredito que teremos uma nova era na escrita. E, claro, eu é que não vou ficar de fora dessa evolução!

Alexandre Henry

ALVES, Alexandre Henry. Uma nova era para a escrita. Disponível em <http://dedodeprosa.com/conteudo/mododever/uma-nova-era-para-a-escrita/>. Acesso em: 27/02/2020