Eu voto no porquinho

Eu já até imagino a cena: o clã Barreto todo reunido, tirando os que estão marcando presença lá nos States, e um monte de gente famosa junto. E lá na terra do "tchê", uma cidade inteira parada, telões por toda parte, gente torcendo mais do que na final da Copa de 94. De repente, surge o apresentador com a mesma piadinha de sempre, todo mundo ri como de combinado, apresentam-se os candidatos e lá vai! "And the Oscar goes to..."

"Ah, que sacanagem!" - diz um. "Pô, foi armação!" - grita outro. Lá no canto da praça, o bêbado também se revolta: "A culpa foi do juiz! Esse juiz é um filho da..."

Bem, meus caros amigos, não estranhem se a segundona vier nesse clima. É claro, o Brasil todo vai estar torcendo pelo milagre de um filme nacional ganhar um Oscar.

Parece que eu estou esculhambando, não é? Mais ou menos. Talvez por conhecer um pouquinho o que realmente se passa por trás das cortinas, coisa de conversas informais, eu fique com um pé atrás sobre esse negócio de Oscar. Segundo fontes obscuras, que já estiveram nos bastidores dos mais consagrados festivais, incluindo o nosso Festival de Gramado, ganha o Oscar aquele filminho que gastou uma nota e não anda muito bem das pernas. É claro, quem leva a estatueta fatura pelo menos mais uns dez por cento só nos EUA; no resto do mundo a coisa é ainda melhor. Ou seja, ganhar, neste caso, é realmente ganhar. Mas o Brasil merece estar lá. Que país pode ter o orgulho de ser casado com a "ex" de Steven Spielberg? Só nós mesmo. E ainda dizem que o Fábio Barreto é vizinho do cara. Vamos levar a estatueta de melhor filme estrangeiro e, de quebra, de melhor puxa-saco. Pô, isso já é esculhambação!

Agora é sério. Será uma maravilha se o Quatrilho voltar lá dos "estrangeiro" com o Oscar. Pelo menos assim poderemos ver mais filmes nossos na telona. E filmes de qualidade, assim espero. Aliás, o Quatrilho pode ser considerado uma ótima produção, ainda mais se comparado ao resto que é produzido aqui. Falta apenas um pouquinho de emoção na história. Mas tudo bem, estamos no caminho certo. Graças a Deus o Brasil está aprendendo que cinema também pode ser dinheiro, daí só falta os empresários acreditarem nisso e poderemos ser um ótimo mercado cinematográfico, assim como já somos em relação à música. Como disse um professor meu, "lá fora os caras inventam que querem explodir um prédio e explodem, têm grana pra construir outro. Aqui no Brasil, o cidadão filma uma batida de Kombi e depois tem que fugir do país com as latas de filme na mão, porque não tem dinheiro pra pagar o conserto." Então, que venha a grana dos empresários. Para isso, a tal estatueta seria de grande serventia.

Bem, mas eu fico com o porquinho. Sim, quero o Babe para o Oscar de melhor ator! Gente, ele consegue ser muito mais engraçadinho do que todos aqueles atores horrorosos! Além de tudo, é um cara cheio de ideais: quer ser um cão pastor! Pronto: voto no porquinho. Deixa a Apollo 13 na garagem que hoje nós vamos é de porco-móvel! Direto pra lua!

E para o Oscar de melhor atriz, Sharon Stone. Que a mulher tem muita perna, disso ninguém nunca duvidou. Falavam também que ela era boa de cuca, Q.I. 140. Bem, agora chegou a vez da moça poder dizer: "tá vendo, eu também sei ser atriz". É, pode ser. Mas no meu conceito de beleza ela já foi superada pela Nickole Kidman. Aquilo sim, deveria concorrer com a Apollo 13 na categoria de melhor avião, espaçonave ou seja lá o que for! Com certeza a Nickole levaria qualquer um pra lua sem nenhuma dificuldade, até o Tom Hanks!

É, chega de besteira, segunda a gente vê o que acontece. E eu confesso que vou estar lá, na minha torcidinha pra ver a Patrícia Pillar na capa da Veja da próxima semana, outra vez. E vale a sua torcida também. Afinal de contas, se prevalecer a tradição, outro desses só daqui a trinta anos. Então, dá-lhe Quatrilho, que a minha pipoca já está na panela!

Alexandre Henry

ALVES, Alexandre Henry. Eu voto no porquinho. Disponível em <http://dedodeprosa.com/conteudo/mododever/eu-voto-no-porquinho/>. Acesso em: 14/07/2020