Antônio Pereira

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2 de Janeiro de 2017 Antônio Pereira

Uma rua para o João Cândido

Quando João Cândido Pereira faleceu, esquecido dos motoristas a quem liderou por muitos anos e defendeu como classe, fiz uma nota publicada neste jornal na qual expunha alguns de seus trabalhos em prol da comunidade. A verdade é que, visando melhor condição de trabalho para a sua classe, João batalhou inúmeras vezes por benefícios que foram verdadeiras benesses para toda a cidade. Foi o caso dos empenhos pelas rodovias regionais. Não só os motoristas foram beneficiados, mas empresas comerciais, construtoras, indústrias etc.

Atrás dessas estradas, vieram outras vantagens. É lógico que não houve só o trabalho do sindicalista. Seria uma injustiça e uma besteira negar trabalhos até mais substanciosos, como o do ex-governador Rondon Pacheco (que é outro que a cidade não tem reverenciado como merece), como a luta da Associação Comercial, de vários políticos e outras instituições e pessoas.
João Cândido foi comunista e pagou caro por isso. Perseguido pela última ditadura, teve que esconder-se por aí e, escaldado, deixar-se ofuscar no silêncio, no esquecimento, no cuidado de não cair na esparrela.

Achei que o nome do João deveria ser perpetuado numa rua da cidade que ele adotou e amou profundamente. Procurei um vereador que se identificasse politicamente com o pensamento dele, forneci-lhe todos os dados e pedi a rua. Anos se passaram. Não deu em nada. Lembrei-me do meu amigo Luizote de Freitas. Luizote não era comunista, pelo contrário, era do PDS. Contei-lhe a história do João e ilustrei o meu pedido com um caso semelhante ocorrido há mais de 50 anos. Seu primo Renato de Freitas era vereador (começou cedo na política) pelo PSD quando um de seus pares entrou com um projeto de Lei que dava o nome do comunista José Ayube a uma das ruas da cidade. Ayube era jornalista e tinha morrido vítima de um acidente na estrada. Pedro Shwindt refugou o projeto sob a alegação de que o beneficiário era comunista. Renato de Freitas interpôs-se elogiando o homenageado e dizendo que a Câmara nunca havia analisado antes a crença política dos seus homenageados, mas a sua atuação em favor do município. A interferência do Renato, um político conservador, mas iluminado por ideias progressistas, foi fundamental e, hoje, uma das ruas do Fundinho chama-se José Ayube. Não só isso. A cidade está cheia de nomes de comunistas por suas vias públicas. João não seria o primeiro.

A verdade é que, finalmente, a cidade cumpriu seu débito com esse cidadão trabalhador e amante de Uberlândia que foi João Cândido Pereira. Louvores a outro Freitas de mente aberta que soube valorizar o homem por seus atos.

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