Antônio Pereira

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20 de Março de 2017 Antônio Pereira

Maçonaria centenária

Naqueles idos de 1896, São Pedro de Uberabinha era do tamanho de seus atuais distritos. Ou menor. Há apenas oito anos emancipara-se deixando de ser distrito de Uberaba. O grande melhoramento era a linha da Mogiana, chegada no ano anterior, cuja pequenina estação ficava lá em cima, no meio do cerrado (hoje, praça Sérgio Pacheco). Chegava-se lá por trilhas no meio do areal. A cidade terminava no cemitério velho (praça Clarimundo Carneiro). Não possuía energia elétrica, nem serviço de água e esgoto.

Num dia de agosto daquele ano, seis comerciantes do Rio de Janeiro, maçons, tomaram um trem de ferro na estação da Central do Brasil, desembarcaram em São Paulo, re-embarcaram na Inglesa, até Campinas e daí subiram até Uberabinha, passando por Franca, que era o trajeto, pela Mogiana. Eram: Joaquim José Ferreira Telles, Joaquim Lopes Ferreira, José Otero Fernandes, Plácido Gonçalves Meirelles, Augusto Monteiro Falcão e Irineu de Mello Franco. Também pela Mogiana, possivelmente até no mesmo trem, chegaram mais cinco irmãos maçons de Uberaba: Artur Lobo e Antônio Augusto T. de Magalhães que eram professores, Antônio Cesário da Silva Oliveira, advogado, Maximiliano José de Moura, funcionário público e Mário Pio Guimarães Tourinho, promotor público. De Araguari veio José di Rosatto. Joaquim Maia da Silva Freire que não registrou de onde veio. Certamente ficaram no Hotel do Comércio, do português José Loureiro Bexiga, que era o mais conhecido. A esse grupo de treze juntou-se Dâmaso Martins Marquez, iniciado em Uberaba, que morava em Uberabinha há uns dez anos e, talvez, tenha sido o primeiro maçom da cidade.

No dia 20 de agosto, que é o Dia do Maçom, esses quatorze irmãos se reuniram num lugar que não se sabe exatamente onde tenha sido, e fundaram a primeira Loja Maçônica da cidade e uma das mais antigas do país em atividade, a LUZ E CARIDADE. Nesse mesmo dia foram iniciados doze candidatos uberabinhenses, também considerados fundadores. São eles: Agenor Gonzaga (comerciante), João Moreira Ribeiro (comerciante), Angelo Zocolli (comerciante), José Antônio de Medeiros Cruz (juiz de direito), José Ignácio de Rodrigues (comerciante), José Loureiro Bexiga (comerciante), Bernardino de Paiva Fonseca (tabelião), Francisco Vieira de Oliveira e Silva (promotor público), Dario Luiz da Costa (comerciante), Américo Saint’Clair de Castro (farmacêutico) e José Augusto de Paiva Teixeira (comerciante).

Dada a deficiência de documentos, muitos fatos ficaram no plano das conjecturas. Por exemplo: onde foi feita a reunião inaugural? Quem dirigiu os trabalhos? Quem escolheu os primeiros a serem iniciados? É possível que o presidente da primeira reunião tenha sido o comerciante carioca Joaquim José Ferreira Telles, porque era o mais graduado dos irmãos. O primeiro presidente da Loja foi o farmacêutico Américo Saint’Clair de Castro, figura importante na história do Município: foi Delegado Municipal, Vereador, representante do Fisco Estadual e mais alguma coisa. Sua farmácia ficava no início da rua Augusto César, esquina com a rua Barão de Camargos, em oposição ao prédio escolar que lá existe. Castro fez a primeira iniciação organizada pela própria Loja no dia 2 de novembro de 1896, admitindo os novos irmãos: Amando Santos (advogado e jornalista), Modesto do Egypto (comerciante), Francisco Emílio de Araújo (tabelião), Antônio Marques Guerreiro Neto (comerciante) e Alberto de Almeida Pedrozo (comerciante do Rio de Janeiro).

Nestes cento e vinte anos, a Loja Maçônica Luz e Caridade abrigou em seu templo as mais expressivas personalidades locais das áreas política, cultural, econômica, artística, social etc., pessoas de nacionalidades diversas como russos, americanos, japoneses, ciganos, espanhóis, italianos, austríacos, gregos etc etc... das mais variadas profissões, sem qualquer discriminação. De seu quadro saíram os criadores diretos ou indiretos das demais Lojas que existem na cidade e da grande maioria das Lojas do Triângulo, Sul de Goiás e até do Mato Grosso. As primeiras Lojas criadas em Uberlândia, filhas da Luz e Caridade, foram a Seis de Junho (av. Getúlio Vargas), a Acácia do Triângulo (Jardim Patrícia) e Cláudio das Neves (Saraiva). Hoje, Uberlândia possui 24 lojas, a saber: Luz e Caridade, Seis de Junho, Acácia do Triângulo, Cláudio das Neves, Angelino Pavan, Liberdade e Justiça, Vigilantes da Ordem, Tiradentes, Takeó Iwace, Alfa e Ômega, Estrela Uberlandense, Geminiano José das Virgens Jr., Fraternidade Sertaneja, Obreiros da Caridade, Uberlândia, Fraternidade Acadêmica Vigilantes da Ordem, Obreiros da Luz, Cavaleiros de York, Fraternidade Uberlandense, Guardiões do Triângulo, Luz do Triângulo, Pedra Angular, Renascer e União e Amizade.

Instalada atualmente à avenida Cesário Alvim, 606, a Luz e Caridade possui o maior quadro de maçons do Estado de Minas Gerais e o segundo do país.

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