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1 de Fevereiro de 2017 Antônio Pereira

A SOCIEDADE MÉDICA DE UBERLÂNDIA (SMU) INSTITUIU A LIVRE ESCOLHA EM 1957

A Livre Escolha foi um sistema assistencial médico que prenunciava um atendimento de Primeiro Mundo, mas que infelizmente durou pouco.

A partir da Assembléia Geral da Sociedade Médica de Uberlândia, realizada no dia 20 de junho de 1957, os médicos iniciaram um movimento, a princípio em âmbito restrito, mas que ganhou o país marcando mais um ponto para o pioneirismo uberlandense. Foi a campanha do “Credenciamento Geral e a Livre Escolha”. Essa campanha visava a que as autarquias responsáveis pela saúde pública distribuíssem entre os médicos e os hospitais da cidade os trabalhos de atendimento e internamento de acordo com a preferência do paciente e não como vinha sendo feito até então, através de contratos particulares com alguns médicos. Como já havia profissionais contratados, decidiu-se o seguinte: se fosse do interesse desses contratados, os mesmos abririam mão de seus empregos a favor da SMU para que, com garantia, ela pudesse exigir dos Institutos de Aposentadoria e Previdência o pagamento dos médicos sob a forma de pro-labore e livre escolha.

Guardavam-se, entretanto, algumas ressalvas importantes: a primeira era que se algum médico/empregado não concordasse em abrir mão do emprego, a SMU voltaria atrás, desistiria temporariamente do seu intento, deixando a questão em aberto para futuros retornos; se todos aceitassem e posteriormente houvesse modificações na forma de atendimento e os Institutos voltassem a contratar, a preferência das vagas seria para os seus antigos ocupantes.

Isso decidido, a SMU criou uma comissão composta dos doutores Abdala Miguel, Marçal Neto, Luiz Eugênio G. Mineiro, Hélio Luiz Santa Cecília e Domingos Pimentel de Ulhoa para fazer contatos com os colegas empregados que eram os drs. Mário Terra, Ruy Cotta Pacheco, Bolivar Carneiro, Moisés de Freitas, Manoel Tomaz Teixeira de Souza e Fausto Savastano. Em princípio, todos concordaram sob as seguintes garantias: a de que ninguém ocupasse os empregos que deixariam, a de que a entidade não permitisse que médicos de fora fossem contratados para substituí-los e a de que, num possível retorno ao sistema anterior, as vagas teriam a sua preferência. Dos médicos empregados só o dr. Fausto Savastano não aceitou a modificação alegando questão de princípios. O dr. Ruy Cotta aceitaria apenas para apoiar a SMU. Isso foi o que constou do relatório do dr. Domingos.

Na reunião de 3 de julho, entretanto, o dr. Mário Terra, representando todos os seus colegas empregados levou outra decisão à diretoria. Alegavam eles que a decisão anterior fora tomada com certo constrangimento, pois estavam todos satisfeitos com os empregos. Conseqüentemente voltavam atrás. Diante da nova posição dos associados, a SMU decidiu abandonar temporariamente a questão, desobrigando-se de qualquer compromisso com os Institutos nem aceitando mais reclamações dos associados contra eles. O problema parecia encerrado quando o Presidente da Associação Médica Brasileira, prof. Hilton Rocha, apelou para que aqueles médicos atendessem o pedido da SMU porque o seu trabalho na direção da AMB era orientado no mesmo sentido, o de conseguir para a classe médica brasileira, junto aos Institutos, aquilo que se lhe afigurava como justo: o pro-labore e a livre escolha, que era a proposta original da SMU. Assim, para a reunião de 7 de agosto, dá entrada na secretaria da entidade uma carta assinada conjuntamente pelos médicos empregados abrindo mão dos seus credenciamentos pessoais. Estava lançada a campanha que aglutinou a classe médica de todo o país. É verdade que muita lança ainda teve que ser quebrada, mas a semente que germinou e deu bons frutos, ainda que não tenham permanecido, estava plantada. Antônio Pereira da Silva, da ALTM Fonte: Atas da SMU

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